Bolsonaro réu: quais os próximos passos da denúncia contra ex-presidente?

Brasília (DF), 18/10/2023, O ex-presidente Jair Bolsonaro, fala com jornalistas, na sede da Polícia Federal em Brasília. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, transformar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados em réus no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022. A decisão, tomada em 26 de março de 2025, marca o início de uma ação penal que pode ter desdobramentos significativos para o cenário político e jurídico do Brasil.

A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), acusa Bolsonaro e seus aliados de integrarem o núcleo central de uma organização criminosa que buscava abalar o Estado Democrático de Direito. Entre os crimes atribuídos ao ex-presidente estão tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa armada. As penas somadas podem chegar a 43 anos de prisão.

Com a aceitação da denúncia, o processo entra na fase de instrução, que inclui a coleta de provas, depoimentos de testemunhas e interrogatórios dos réus. A defesa de Bolsonaro e dos demais acusados poderá apresentar recursos, como embargos de declaração, que visam esclarecer pontos da decisão, mas que dificilmente alteram o mérito do julgamento. Além disso, a defesa poderá solicitar a nulidade de provas ou questionar a legalidade de procedimentos adotados durante a investigação.

Especialistas apontam que a prisão de Bolsonaro nesta etapa do processo é improvável, a menos que surjam motivos para um pedido de prisão preventiva, como tentativa de fuga ou obstrução de justiça. No entanto, caso seja condenado ao final do julgamento, o ex-presidente poderá enfrentar penas severas, incluindo a perda de direitos políticos.

O STF pretende concluir o julgamento até o final de 2025, evitando que o caso interfira nas eleições presidenciais de 2026. A decisão de transformar Bolsonaro em réu já impacta o cenário político, com aliados do ex-presidente divididos sobre a antecipação da escolha de um novo candidato para a corrida eleitoral.

Além de Bolsonaro, outros nomes de destaque também se tornaram réus, como os ex-ministros Walter Braga Netto, Anderson Torres e Augusto Heleno, além de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. A PGR alega que o grupo agiu de forma coordenada para implementar um plano golpista, utilizando desinformação e ataques ao sistema eleitoral como estratégias principais.

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