O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) adotou um tom ameno durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última terça-feira (10), como parte do inquérito que apura uma possível tentativa de golpe de Estado.
A postura foi elogiada por aliados e avaliada por governistas como estratégica, mas insuficiente para alterar os rumos do processo.
No interrogatório, Bolsonaro evitou ataques diretos ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito, e chegou a fazer uma brincadeira sugerindo que Moraes fosse seu vice em uma eventual chapa em 2026 — comentário que arrancou risos dos presentes.
O ex-presidente também pediu desculpas por declarações passadas e afirmou que um golpe seria “abominável”.
Segundo apurou a CNN Brasil, para integrantes do PL, a conduta foi vista como sinal de equilíbrio e inteligência política.
Já governistas e analistas jurídicos avaliam que o gesto tem efeito mais simbólico do que prático.
A expectativa é de que o depoimento não traga mudanças substanciais no andamento da investigação.
Bolsonaro foi o quinto a ser ouvido no inquérito, após nomes como Anderson Torres, Augusto Heleno e Almir Garnier.
Assim como os demais, negou qualquer envolvimento em articulações para subverter a ordem democrática.
Analistas da imprensa evidenciam o caráter performático da fala, com falas pensadas para reverberar nas redes sociais.
Ele atuou para preservar sua imagem diante da base eleitoral e respondeu juridicamente com argumentos políticos, buscando minimizar a gravidade das acusações.
Apesar da mudança de tom, o gesto é considerado insuficiente para frear o avanço do inquérito no STF, que segue em curso.
