A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suspeita de obstrução de Justiça, coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O indiciamento foi formalizado em relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 15 de agosto de 2025, como parte das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
Segundo a PF, os dois teriam atuado para atrapalhar o andamento das investigações, intimidar autoridades e mobilizar aliados para desacreditar decisões judiciais. A análise de mensagens recuperadas do celular de Jair Bolsonaro revelou conversas com Eduardo e o pastor Silas Malafaia, nas quais são discutidas estratégias para pressionar o Judiciário e disseminar conteúdos provocativos nas redes sociais.
Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde março, é acusado de buscar apoio internacional para impor sanções a ministros do STF, o que, segundo a Procuradoria-Geral da República, configura atentado à soberania nacional. O relatório também aponta que Jair Bolsonaro cogitou pedir asilo político ao presidente argentino Javier Milei, reforçando a tese de articulações para escapar da responsabilização judicial.
O documento da PF tem cerca de 170 páginas e será analisado pelo STF, que decidirá se aceita a denúncia e transforma os indiciados em réus. Jair Bolsonaro já cumpre prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares, e o caso segue sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.








