Alguém acredita que a esquerda ainda exista na eleição de Maceió, após o resultado da pesquisa do Gape- que será referendado pelo Ibope na noite desta sexta-feira (14)?
Desde 2004 que o alagoano não tinha visto uma campanha tão diplomática. Em São Paulo, Serra, Haddad e Russomano falam do mensalão, do PT, da privataria tucana. Em Recife, Humberto Costa pressiona o currículo de Geraldo Júlio. É uma tentativa (desesperada) de Lula para desconstruir a imagem do candidato apoiado pelo governador Eduardo Campos.
Mas e em Maceió? A campanha que tem Collor? Renan? Como foi?
Havia uma expectativa- voltando a falar da esquerda- que o candidato Alexandre Fleming (PSOL) pudesse desconstruir a imagem de todos os postulantes ao Executivo na capital, como fez Mário Agra (PSOL), na ótima campanha de 2008, e Ricardo Barbosa, ao Governo, em 2006.
Mas, Alexandre Fleming- o único candidato da esquerda- mostrou-se a si mesmo, sem o povo, sem as ruas. O guia na TV virou aula sobre assunto conhecido por todos. Quem não sabe das línguas negras na capital? Ou dos contratos milionários do lixo?
A esquerda cochilou na aula.
Na TV, Rui Palmeira apostou na festança em meio aos miseráveis, com o gingado da periferia paupérrima da capital.
Ronaldo Lessa virou a espada de Dâmocles, arranhando com sua lâmina o governador Teotonio Vilela Filho. Como faz desde 2010.
E arrastou sozinho esta sina. Nem Collor nem Renan seguraram esta guerra por tanto tempo.
E para os demais?
Jeferson Morais virou o primo-pobre do Palácio República dos Palmares. O primo abismado com a riqueza, o luxo, a ostentação do parente rico. Até que o primo reage- com a fome- mas ele, no fundo, cumpre o ritual: nem o primo recebe a comida nem Jeferson ganharia a eleição, por ele sempre estar fora dos planos do governador Teotonio Vilela Filho
Rosinha da Adefal cumpre uma tabela e é a amiga de todos. Galba Novaes é o único na história mundial a agradar gregos, troianos e baianos. Deve eleger o filho a Câmara de Vereadores de Maceió.
Nadja Baía colocou o pé na lama da periferia. Era levada por quase ninguém na campanha. E capitaneou o seu futuro: uma vaga a Assembleia Legislativa em 2014. Só que Nadja esteve na mesma condição de Jeferson Morais: a prima pobre que não limpou os pés, antes de conversar com o governador.
Sérgio Cabral é o Sérgio Cabral. E só.






