Blog do Odilon: quem ganha com a crise no IML?

“Imagine um juiz escrevendo uma sentença em uma máquina de escrever, quebrada, em cima de duas caixas de madeira e na beira da lagoa?”

“Imagine um jornalista escrevendo um texto com um pedaço de carvão e um papel amassado jogado no lixo?”

“Imagine um dentista arrancando os dentes, sem anestesia, sem higiene, o profissional sem luva, máscara, em uma cadeira de madeira?”

As frases são de um amigo, mostrando que os médicos-legistas do IML de Maceió trabalham em condições assim: o século XXI chegou ao juiz, ao jornalista e ao dentista. Ao IML, nem cruzou a porta.

O prédio do IML de Maceió está com ordem de interdição desde 21 de janeiro de 2011. O documento foi assinado pelo Ministério Público Estadual. Seguem alguns trechos:

“Ainda no mesmo relatório, conclui o IMA que referida inadequação no lançamento de resíduos in natura “contamina o solo (arenoso), podendo migrar para o lençol freático e ainda aumentando a proliferação de vetores que podem transmitir doenças e, com isso, causar riscos aos moradores do entorno”, além de diversos outros problemas relacionados a higienização precária, ausência de tratamento de resíduos, inadequado acondicionamento de materiais passíveis de contaminação, etc, conforme vasto e detalhado relatório em anexo, contendo, inclusive, fotografias que atestam as péssimas condições do ambiente do IML.”

“Em relação ao IML, mais especificamente, a Promotora Karla Padilha foi bastante enfática em pontuar que existe “uma grande burocracia para que as coisas se resolvam a médio prazo, sendo necessário ações judiciais para que a situação se modifique, ou seja, para que o IML funcione de forma satisfatória”.

Mais:

· Comprometimento total das instalações elétricas (fiação exposta e ausência de espelho);
· Inexistência de projeto contra incêndio e pânico com respectivo laudo de aprovação de Corpo de Bombeiros (foi observada a existência de extintores com carga na validade);
· Área de dispersão e de preparação de cadáveres com piso inadequado e com ausência de pontos de água;
· Câmara frigorífica insuficiente e inadequada para guarda de cadáveres;
· Ausência de vestuário e banheiro para os funcionários da sala de necrópsia;
· Área de corpos em decomposição em aberto, vulnerável à presença de roedores, insetos, animais e a ação do sol e da chuva;
· Ausência de drenagem das águas servidas;
· Ausência de tratamento de dos efluentes, antes de ser lançado na rede pública de esgoto;
· Ausência de setor de esterilização;
· Inexistência de procedimentos de controle integrado de vetores e de pragas, assim, existência de equipamentos de Proteção Individual – EPI com registros;
· A água utilizada é proveniente de rede pública . Não existe controle microbiológico da água potável, sendo esta utilizada para limpeza e lavagem de material;
· Ausência do uso do saco branco leitoso para o lixo contaminado;
· Máscaras inadequadas para o tipo de atividade – necropsia;

Com tantos problemas, a pergunta: quem ganha com a crise do IML?

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