Sentado na cadeira marrom do Palácio República dos Palmares, o governador Teotonio Vilela Filho pode muito.
Pode, por exemplo, controlar uma eleição. Decidir como e quando Rui Palmeira e Jeferson Morais vão responder às provocações do ex-governador Ronaldo Lessa.
Pode decidir quando o carimbo da inelegibilidade, usado nas eleições de 2010, vai novamente servir este ano, aos interesses do Governo.
Mas, Vilela não pode controlar os ânimos acirrados entre Rui e Jeferson Morais- ambos apoiados por ele mesmo.
Ficou claro no horário eleitoral que o vice, José Thomáz Nonô, padrinho da campanha de Jeferson, não está satisfeito com o desprestígio do governador na campanha do candidato do Democratas.
Desde sempre, Jeferson pode ser a zebra da eleição, apesar das pesquisas mostrarem o contrário. Só que Rui Palmeira carrega um projeto muito maior e envolve o futuro: é candidato a governador em 2014, com o aval da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool- vide-se o ex-senador João Tenório. E sua confiança vem da linhagem política que começou com o avô, Rui, passou pelo pai, Guilherme- ambos entranhados nos discursos dos usineiros. E Rui promete não romper esta lógica- assim como o governador não rompeu.
São condições que Jeferson Morais não carrega. É popular na periferia e nos grotões. E os usineiros detestam estes dois lugares. O candidato do DEM não tem linhagem política. E os usineiros detestam candidatos sem berço de ouro. No máximo, o deputado estadual- de atuação destacada na Assembleia Legislativa- é um funcionário de uma empresa de televisão, em um programa policialesco. E os usineiros detestam olhar para baixo, na hora de negociar com o chefe do Executivo.
Ao assumir publicamente que Rui Palmeira é o alvo a ser atacado nesta eleição, Jeferson Morais testa a fidelidade do governador. Se o homem mais poderoso de Alagoas tem dois candidatos com chances de disputar o segundo turno com Lessa, que assuma o compromisso com ambos.
Lembrando que Teotonio nem aparece na TV ou nas ruas- a não ser discretamente- na campanha de Rui.
Até quando Jeferson Morais e Nonô vão suportar a pressão do staff econômico e político? O guia eleitoral é vitrine de uma campanha. Mesmo que o Governo seja oposição a ele mesmo, com os dois lados servindo ao mesmo projeto.








