Se são graves as acusações do deputado João Henrique Caldas (PTN) sobre sessões fantasmas na Assembleia Legislativa- graves a ponto de derrubá-lo do mandato- porque o deputado Olavo Calheiros (PMDB) deve permanecer no cargo se ele acusou a Mesa Diretora de desviar R$ 10 milhões, todos os meses, para finalidades misteriosas?
Se JHC deve carregar uma melancia, debaixo do pescoço, e ir às ruas, Olavo Calheiros poderia enfrentar a forca- o que não vai acontecer: não temos pena de morte.
Perseguido desde que denunciou a farta distribuição de dinheiro na GDE, o jovem João Henrique Caldas é mais um parlamentar que a Assembleia Legislativa quer desmoralizar, transformar em folclore estadual, mesmo lugar ocupado por Temóteo Correia (DEM).
JHC foi vítima de um erro primário, ao falar, sem provas, sobre as sessões fantasmas da CCJ.
E falar em cassação é uma bravata na Assembleia, uma casa sem lei.
Com provas, Olavo Calheiros disse textualmente que existe, sim, um esquema de corrupção na Assembleia Legislativa. Tudo às claras, sempre fiscalizados pelo bravo Ministério Público Estadual ou o Tribunal de Contas, pelos conselheiros Cícero Amélio ou Rosa Albuquerque.
A Casa de Tavares Bastos teria condições de explicar a existência (neste caso, não existência) de uma biblioteca e uma escola fantasmas, com custos milionários, todos os anos?
E como abrir uma ação por quebra de decoro contra deputados que apresentam atestados médicos falsos, à Mesa Diretora, para se licenciarem do cargo, dando chance a aliados na disputa por prefeituras do interior de Alagoas?
Nenhum deputado, por mais faltoso que seja, perdeu o mandato na Assembleia por ausências injustificadas às sessões, meses a fio. E nenhum foi punido, pela Comissão de Ética, pelo desvio de R$ 300 milhões, fartamente provados pela Polícia Federal e Ministério Público Federal.
Apesar do desgaste, JHC deve permanecer onde está. Mas, a desmoralizada Assembleia quer empurrar para a lama o jovem parlamentar. Uma forma que a Casa dos Iguais tem para mostrar que todos têm a mesma cor, no meio do lodo.