O Palácio República dos Palmares resolveu investir todas as fichas (e raspar outros tachos) na eleição à presidência da OAB de Alagoas. E a prioridade é evitar que o advogado Marcelo Brabo Magalhães ganhe a disputa. Por isso, a determinação do Governo é eleger Rachel Cabús, a advogada escolhida por exclusão (de forma deselegante) pelos omaristas- o grupo do atual presidente da ordem, Omar Coêlho de Mello.
Por que Marcelo Brabo Magalhães não pode ganhar a eleição? O Governo entende que a vaga de conselheiro federal da ordem- um espelho de ações em Alagoas na capital federal, Brasília- não deve ser indicada por um presidente da OAB sem o controle do Palácio República dos Palmares.
Por isso, a eleição de Rachel Cabús passa pela escolha- já antecipada- de Omar Coêlho ao cargo federal.
A estratégia não inclui falhas. Se Marcelo Brabo ganhar- e as pesquisas internas dos corredores palacistas mostram essa possibilidade- o advogado pode indicar um conselheiro que levante uma poeira antiga, mas não esquecida: a Operação Navalha, um assunto que incomoda o Governo. E muita gente mais- até da OAB.
E se um conselheiro federal citar, por exemplo, o escândalo dos créditos em Alagoas? O prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres públicos desde 2003? Ou alfinetar, sem solenidade, que em Alagoas parentes de secretários ocupam cargos comissionados- nepotismo nas barbas da OAB? Seria um vexame nacional.
A preocupação é geral no QG omarista. Rachel Cabús não merece que o fundamentalismo contamine a eleição. Mas, mesmo ela, não consegue controlar o conjunto de acontecimentos tenebrosos que governa a OAB na atualidade.