Não representam grande avanço as declarações do governador Teotonio Vilela Filho sobre a ida dele, a Brasília, em
busca de recursos públicos na área de segurança para o combate à violência. Como gosta de ser chamado, o governador “dos três milhões de alagoanos” move-se pelo ímpeto de mais um brutal assassinato registrado no Estado. Um ímpeto não tão diferente do que foi visto no assassinato do modelo Eric Ferraz, morto de forma covarde por dois covardes.
Ou ainda quando recebeu, pela segunda vez, em dois anos, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para costurar ações no Estado mais violento do Brasil.
As duas visitas integram o rodapé dos jornais, linhas pouco lembradas em tempos de sangue e impunidade.
Há uma evidente falta de sintonia entre setores do Governo, quando o assunto é violência. O Conselho Estadual de Segurança defende o policiamento comunitário, ideia rechaçada pelo Comando da Polícia Militar; são fartamente conhecidas as áreas mais violentas de Alagoas, mas daí a haver ações humanitárias ou comunitárias nestes lugares, a distância é grande.
Em Alagoas, já se falou de policiais seguindo o modelo colombiano de combate à violência; depois, o modelo tucano; nos últimos dois anos, foram dois planos de segurança e mais um lançado em março- pelo próprio ministro da Justiça, acompanhado, logo depois, pelo da Saúde e Desenvolvimento Social.
O cenário de guerra urbana, de caos social, não se altera. O comerciante Mário Augusto da Silva Guimarães Neto foi assassinado em setembro do ano passado. Crime, até hoje, insolúvel; o Instituto Médico Legal Estácio de Lima, em Maceió, funciona aos pedaços e, apesar da promessa local e federal, segue de portas abertas em uma negativa tão esquizofrênica quanto estranha, da própria direção, sobre sua crise intestina.
A quem perde os parentes, resta o embalo de algumas frases soltas ao vento. As palavras voam, nada fica escrito. E esperamos para ver a próxima vítima e seus parentes cobrando, com justeza, o fim da nossa tragédia social.
