Os 20 anos do impeachment do senador Fernando Collor (PTB), fartamente comemorados pela imprensa nacional,
mostram pelo menos uma característica ligando o passado e o presente do ex-presidente: o homem que subiu e desceu a rampa do Palácio do Planalto permanece o mesmo, como se o carimbo do passado não encardisse com o tempo- que trouxe a Collor os cabelos brancos e as ações que não se superam, apesar dos ponteiros do relógio.
Em rápida pesquisa no Google, a palavra “Collor” carrega dois casos do passado: “poupança”, “supositório de coca”. São 1,6 milhão de resultados.
Ao se digitar “Fernando Collor” vem as opções: “senador”, “Governo”, “2012”, “deposto”, “drogas”. São 1,5 milhão de resultados para esta palavra.
Isso significa que há mais temor que crença em relação ao senador. O passado é a sombra do presente. O eleitor não quer Collor no Executivo- como mostram as urnas de 2002 e 2010. Seus discursos e aliados no palanque assustam o eleitor- vide 2010.
Entregou-se-lhe o mandato de senador- como se fosse a realização das pazes com o passado- o que até 2012- no sexto ano de mandato de Collor-não aconteceu.
Na comparação: o senador bon vivant Teotonio Vilela Filho (PSDB) foi devidamente superado pelo inquilino do Palácio República dos Palmares.
Não só o fantasma da corrupção ou de uma suposta vingança de Collor no Executivo retiram-lhe as chances de assumir o terceiro estado mais pobre do Brasil ou o afastam do Palácio do Planalto.
Mas, o eleitor quer saber- e Collor, enigmático como a Esfinge que devora, não responde: até que ponto ele, o senador, superou o presidente? A ação de Collor no Senado dá esta resposta.






