À beira das eleições na OAB, o omarismo não tem alternativas a oferecer ao próprio omarismo- a não ser que a candidata do atual presidente, Rachel Cabús, rompa com esta lógica, um compromisso de raríssimos seres humanos.
O omarismo quis gerar o terceiro mandato a Omar Coelho- o presidente. O tempo dos reis persas passou; fixou-se, então, em Marcelo Brabo, que se desvinculou do omarismo por livre e espontânea pressão. Seguiu-se a rotina: a indicação da vice, Rachel Cabús, quase um jogo deselegante de exclusão.
Em tempos de quase unanimidade eleitoral, o omarismo está distante da legitimidade social. É o mesmo, por exemplo, que elabora os relatórios da saúde sobre o caos no Hospital Geral do Estado ou denuncia casos de tortura no sistema prisional.
Mas, é o mesmo omarismo indiferente aos apelos de médicos, enfermeiros e pacientes na última segunda-feira, quando, na Maternidade Santa Mônica, 15 gestantes pariam nos corredores. Ou assiste a 19 mil alunos de escolas públicas de Alagoas sem aulas.
Pode ser inútil discutir ou falar de altruísmo. Só que os valores fundamentais, aqueles garantidos pela lei, podem- ou deveriam- ser defendidos.
Não é um ponto de vista racional. E sim uma lógica.
O omarismo foi transformado em uma alternativa do Governo, que exerce um poder quase absoluto nos setores. E, sem oposição ou críticas, ganha autonomia política na própria dinâmica do sistema.
Sem independência de pensamento, o omarismo virou uma rotina. Silencia sobre os precatórios ilegais, denunciados pelo Tribunal de Justiça, e que causam prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres de Alagoas há nove anos. Não se mostra no caso de tortura envolvendo o alto escalão da Polícia Civil, com uma defesa prévia- e surpreendente- do governador.
É como se a liberdade democrática ruísse: o omarismo mostra as fotos do HGE superlotado. E depois? E os resultados sobre os casos de tortura no sistema prisional? Ou as desovas de cadáveres, denunciadas em 2008?
A OAB e o omarismo se desgrudaram. O omarismo obedece a uma lógica eleitoral.
O vice de Rachel Cabús é o presidente do Conselho Estadual de Segurança, Paulo Brêda. A boa gestão do advogado à frente do Conselho pode quebrar a regra para enfrentar assuntos tabus- ou impossíveis de serem tratados- pelo omarismo?
O passado de Paulo Brêda pode lhe oferecer uma contribuição positiva: a Comissão de Combate à Corrupção Eleitoral. O futuro pode ser melhor.
Se não for, a regularidade do movimento estará posta. E quanto mais regular é este movimento, sobra a convicção de que não existe outra doutrina a não ser a da admiração ou veneração pelo quimérico.
É o omarismo. Uma OAB inconsistente.