Há um certo exagero do senador Benedito de Lira (PP) ao afirmar que vai para a oposição ao Governo Renan Filho (PMDB).
Exageros são permitidos pela eleição. Perde-se, o derrotado faz uma análise do ganhador, identifica-lhe os defeitos e faz vibrar os tímpanos – dos outros- com o mais básico dos sentimentos humanos: a raiva.
Biu de Lira foi assim na coletiva que deu à imprensa na tarde desta segunda-feira, 6, 24 horas após a derrota nas urnas. Uma derrota que era anunciada, não apenas porque no outro lado havia o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB).
Mas também a incapacidade do senador Biu em superar os problemas de sua própria campanha.
Pois então, a raiva… Biu quer formar um grupo de oposição. Mas, quem fará parte deste grupo?
O ex-presidente da OAB, Omar Coêlho de Mello? Ele enfrentaria Renan-pai?
Ou o deputado federal- reeleito- Arthur Lira (PP), garantindo sua permanência na Câmara Federal para evitar que os processos lhe pressionassem seu rápido desmantelo político?
Ou quem sabe Alexandre Toledo, usineiro-sócio da Paisa, assuma a oposição, mesmo sob a mira da Justiça do Trabalho?
As eleições mostraram que o prestígio de Renan-pai em atrair Dilma Rousseff para a campanha de Renan Filho aproxima-se do zero.
Renan-pai é astuto sobrevivente da selva-Brasília. Mas, como animal político, aprendeu que a adequação ao meio ambiente não é baseada em princípios abstratos. Ou pela evidência biológica que os olhos azuis de Renan Filho encantam parte do eleitorado.
Na política, sobrevivem os mais fortes e poderosos. É quase um princípio do darwinismo social.
Presume-se, então, que Biu de Lira, ao olhar que a lei da natureza não permite espaço a poucos poderosos, evitará assumir uma visão radical em cima da palavra “oposição”.
Porque nas selvas de Brasília não existem apenas os mais astutos. E sim- também- os de ação mais implacável.





