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Biografias eternizam: conheça Amara de Pêu

Entre os lançamentos de livros que aconteceram no estande do Coletivo Mulheres que Escrevem na Bienal do Livro que marcou o ano em Alagoas, tivemos a honra de conhecer pessoalmente Amarina Moreira da Silva, que assinou um exemplar do livro escrito por sua filha, Patrícia Clementino, com a marca de um dedo não alfabetizado na escrita, mas catedrático na arte de vivência e me presenteou.

Patrícia escreveu “Biografia – Amara de Pêu” e transferiu para as linhas sem fim, as experiências de vida da mãe, uma mulher de estatura considerada baixa, apenas 1,5 m de altura, que gerou 18 vidas em seu ventre e carregou uma história considerada exemplar, rompendo os liames do empobrecimento para garantir à família o caminho de escolhas que não pôde ter.

“AMARA DE PÊU, uma Mulher Forte, destemida, cheia de coragem e fé, um encanto de mulher. Conseguiu seu lugar na sociedade com sua alegria e pôde ocupar o seu espaço na comunidade sem precisar pisar em ninguém”. Diz a apresentação do livro.

Amarina nasceu em 08 de outubro de 1940. “Na semana em que essa mulher espetacular nasceu, também ocorreu um acontecimento marcante  que chamou a atenção de todo mundo! O eclipse total do sol de 1940 foi um evento que atraiu a atenção de astrônomos  e leigos, e se tornou um marco cultural”.

A fala entusiasmada da memorialista confere ao nascimento da mãe um impacto relativo à superação das barreiras postas pelas desigualdades de acesso aos bens do mundo, que se confirmaria em sua vida adulta. “Ela e meus tios sempre trabalharam desde crianças, eles não tiveram oportunidades de estudar tanto o quanto seria suficiente  para que o futuro não lhes tirasse tantas oportunidades”.

A narrativa honesta de Patrícia Clementino resgata crenças e lendas comuns da região norte de Alagoas, por onde correram lobisomens, pessoas viravam bicho e testemunhavam encontros com o espírito da mata, denominado Fulôzinha. Sem este porém, a história não estaria completa.

A história da pequena e grande mulher, não fugiu aos parâmetros do seu tempo, casou jovem, teve muitos filhos e foi fiel esposa até enviuvar. Então, outro lado da história se revela, e a capacidade comunicativa determina o sucesso de Amara de Pêu na comunidade de Campestre.

Nas memórias de Patrícia, cenas inusitadas: “Nunca deixou de nos levar na escola e levar nosso café da manhã até a mesma, porque o tempo não dava para ela arrumar os filhos e dar o café. Então nos levava pra escola, voltava pra casa, fazia um prato de papa de leite de vaca com farinha de mandioca e passava sala por sala tirando eu e meus irmãos para comer, porque ela dizia que quem não comia não aprendia”.

“Como minha mãe não aprendeu a ler nem escrever, o “sonho” dela era que seus filhos fossem professores. Dos 18 filhos que nela gerou, conseguiu criar 10 filhos, 7 mulheres e 3 homens”.

Uma história que vale a pena ser lida, e da qual apenas trazemos alguns aspectos para instigar a curiosidade e renovar nossa alegria em ter encontrado a personagem principal e sua filha memorialista, da qual destacamos a frase:

“O papel dos nossos pais na educação foi fundamental tanto para a nossa formação de valores quanto para o nosso desenvolvimento físico e intelectual”.

Contato com Patrícia Clementino, pode ser feito pelo telefone:

(82) 99398-2182

 

SOBRE O AUTOR

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