Existir entre palavras tem sido a riqueza da vida, na encarnação que ora visto, em corpo de mulher e alma poeta.
Este contato diário com as vozes do mundo me qualificou para algumas análises e sob esta referência abordo a beleza do livro Ciranda de Poesias, escrito por cinco mulheres de talhes distintos; em alguns aspectos, até mesmo discrepantes entre si, mas fluidos.
Não há segurança conceitual. É uma forma pacífica de acolhida e expressão, comunicando diversidade e carinho.
A leitura da obra traz uma soma de vozes:
Ah, se esse hoje cinza
me permitir abrir janelas,
não economizarei em beber cores!
Minha poesia esborra um lado colorido mesmo diante de um mundo gris.
Helena Marques dirá em sua contemplação:
o amor arma rede no meu peito
e balança
numa tarde em Itapuã
Na saudade exprime Lourdes Acioly o seu apelo:
Caminhamos lado a lado a vida inteira,
E agora te afastas sem um adeus.
Envia, ao menos, uma mensagem ligeira,
Permeando de esperanças os dias meus.
Nas margens do Paraíba, divaga Merandolina Pereira de Melo olhando a lua:
Vestida de nuvens,
Em suave açoite
Transborda-se e sai
Iluminando a noite.
A juventude de Sarah Falcão manifesta descobertas e resistências:
o mundo gira torto há séculos
mas a gente segue em linha reta
de coração aberto
ainda que o concreto tente nos
endurecer
E a beleza gira, em arte e cotidianidade, nas mãos da mulheres-poesias.







