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Balanço de Alagoas em 2024

Como Alagoas termina o ano 2024?

Como um estado mais arcaico e autoritário no sentido das relações políticas e fortemente liberal na perspectiva econômica.

O quadro não é agradável para a vida real da população, mas este efeito não é para ser sentido agora, afinal, o período natalino ecoa músicas que acalmam, brilha em fantástica dança cromoterápica, extasiando com imagens lúdicas e planejadas para o transporte fantástico ao mundo da beleza materialmente comprada.

O poder público demonstra saber das coisas.

Quem está sofrendo entre os muros dos hospitais públicos na condição de paciente, parente ou trabalhador da saúde, não participa da projeção onírica. Dados muito reais foram caracterizados como “coisas desagradáveis”. Apenas os que sofrem sabem, e ninguém mais quer conhecer, até que chegue a vez de ocupar o tal lugar “maldito” de usuário de serviços públicos de saúde.

Educação se tornou neste final de ano mote de gasto público com festas e premiações, mas foi exatamente neste tempo que o governo do estado ameaçou a retirada de direitos conquistados pelos professores academicamente qualificados e dentro do que alcança, mais destroça a qualidade do serviço ofertado, pois as secretarias estaduais foram intimadas a cortar gastos, como se isso fosse algo comum nestes ambientes, talvez o governo tenha errado o alvo propositalmente para não acertar na Assembleia Legislativa, que por incrível que pareça, é um poder autônomo que não deixa de pedir apoio ao executivo, sempre logrando receber  lautos repasses.

Sim, conterrâneos, o mar alagoano não está para peixe. E por falar nisso, apenas os peixes grandes estão recebendo chances de sobreviver por aqui, pois no mais, a política de perseguição aos indivíduos não governamentais aumentou descaradamente, e por mais absurdo que pareça, temos até sigla sindical trabalhando para fortalecer a perseguição implantada pelos algozes, recebendo em troca a moeda festiva que reúne o que chamam de “nata” para celebrar mais um final de ano.

Até parece que tudo é festa. Porque entre intrigas, difamações e brindes, o tamanho das representatividades sociais alagoanas diminuiu. O processo civilizatório está dividido entre os “amigos” e os “inimigos” do poder.

Se olhar um pouco para cima, o alagoano vai entender que um manto de domínio está aberto, espalhado sobre as nossas cabeças. Somos uma tribo com tantos caciques, que eles estão reunindo entre si apenas os interesses econômicos mais proeminentes, nos deixando sem veredas abertas, sem democracia real, sem travessias à esquerda, sem voz popular que manifeste força. Eles dominaram com o discurso liberal a prática colonial mais desumana, desafiando sanidade mental e moral na mesma proporção.

Nas casas das autoridades o povo sequer ousa bater à porta.

Todos sabem que elas não querem ser abertas.

E os eventos públicos apenas revelam rostos. Enquanto a emenda pix decide o amanhã desde agora. E teve prefeito que sequer esperou o primeiro de janeiro para retomar o trono, porque aqui a monarquia se traduz na herança de títulos entre sobrenomes, com o aval democrático concedido por suas instituições de estimação.

Alagoas que machucou Ledo Ivo, segue fazendo sofrer os que amam este lugar.

É preciso correr de Alagoas para amar sua gente sem a nódoa da mágoa institucional.

Pois, quem consegue fama vira estátua na beira do mar.

Quem consegue viver mais um ano, vira herói anônimo.

Quem consegue sonhar é artista.

Quem consegue escrever sobre isso é alvo de boicote, e aprende a colher a brisa sob as folhas dos coqueirais, para não perder a poesia. E todos estarão do lado de lá da vala, esperando que a prática da escrita vire maldição e consuma em solidão quem infringe a lei da conivência.

Alagoas fecha 2024 em estado deteriorado de convívio público e as perspectivas para 2025 estarão todas voltadas ao voto de cabresto em 2026.

Haja música calmante e luzinhas ofuscantes, para tanto desengano virar vida normal.

 

 

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