A imagem de uma mulher devota, dedicada à família e cheia de mensagens de fé nas redes sociais escondia, segundo investigações da Polícia Civil da Bahia, uma conexão direta com o submundo do crime organizado.
Segundo apuração do portal Correio 24h, Emile Quessia Oliveira da Silva Sena, presa por envolvimento no sequestro de três mulheres em um shopping de Salvador, cultivava uma persona digital que contrasta drasticamente com as acusações que agora enfrenta.
Em seus perfis, ela se apresentava como “cristã, casada e mãe de pets”, angariando seguidores com postagens religiosas e mensagens motivacionais de “bom dia”.
Emile não se limitava a passagens bíblicas comuns; ela adotava um tom profético em suas publicações.
“Este ano Deus vai descer em muitos Ananias e Safiras. Eu recuperei este vídeo com o comando do Senhor. Pega se quiser. Acredita se quiser. Mas Deus está avisando. Não pare no meio do processo”, declarou em um post, fazendo referência a personagens bíblicos punidos por mentir.
Essa demonstração pública de fé fervorosa, no entanto, acontecia paralelamente à sua vida ao lado de Pedro Vitor Lima Sena Souza. Apontado por fontes policiais como integrante da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM), Pedro Vitor teria atuação confirmada em Salvador, na Região Metropolitana e no município de Seabra.
Apesar da suposta ligação do companheiro com o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas da facção, Emile nunca escondeu o relacionamento nas redes. Pelo contrário, demonstrava afeto público e celebrava a união.
“Somos muito alma gêmeas. Minha versão masculina parece nada comigo e sim com meu marido”, escreveu em uma das postagens, evidenciando a proximidade do casal.
Essa conexão já havia colocado Emile no radar das autoridades anteriormente, em um episódio que envolvia ostentação e indícios de crime.
Em novembro do ano passado, Emile Quessia travou uma batalha judicial para tentar reaver um iPhone Pro Max. O aparelho havia sido apreendido com Pedro Vitor durante uma operação policial que investigava tráfico de drogas.
Embora Emile tenha apresentado nota fiscal e documentos para comprovar que era a proprietária legal do celular, a Justiça da Bahia negou o pedido de devolução.
O juiz acatou o argumento da Polícia Civil de que o dispositivo continha uma grande quantidade de conversas com fortes indícios de comercialização de entorpecentes, considerando o aparelho crucial para a continuidade do inquérito.
Agora, com sua prisão pelo sequestro no shopping, os investigadores buscam entender a profundidade de sua participação nas atividades criminosas atribuídas ao marido e à facção BDM.








