Badan Palhares confirma crime passional e ‘esquece’ de registrar altura de Suzana

O perito Fortunato Badan Palhares reforçou a tese que o empresário Paulo César Farias foi assassinado pela namorada Suzana Marcolino, que é o entendimento dos advogados dos quatro réus acusados de duplo homicídio por omissão. No terceiro dia dos depoimentos, Badan afirmou que os laudos assinados pela equipe dele continham um “lapso”, como chamou: não estava registrada a altura de Suzana, que é 1,67 cm.

– Foi um lapso, mas temos anotações, minha agenda, vídeos que comprovam a altura, disse, mostrando o material da época, além da foto do corpo nas pedras do IML de Maceió, com uma régua.

Badan usou imagens fortes para costurar o depoimento dele: fotos dos corpos na cama- na casa de praia de Guaxuma, em Maceió- fotos das exumações (uma semana após o enterro)- e das necropsias.

– Houve homicídio e em seguida suicídio, reforçou.

Fortunato Badan Palhares, que elaborou o primeiro laudo, assinado por outros 10 peritos- mostrou ainda imagens da trajetória do sangue, da bala que matou Suzana, fotos de familiares (compando a altura), a bala que ficou alojada no corpo de PC e explicou porque, antes de chegar a Alagoas, defendeu que houve duplo homicídio:

– Tinha uma ideia diferente do caso. Ao chegar a Alagoas, vi que os peritos tinham feito um ótimo trabalho apesar das condições técnicas. Mudei 100% de opinião, explicou.

A diferença entre dois laudos, com resultados diferentes sobre as mortes intriga o júri e a plateia que assiste ao julgamento.

De um lado estão os 11 peritos originais do caso – comandado por Fortunato Badan Palhares. Do outro, seis peritos sob a batuta de Daniel Romero Munõz, que vai falar amanhã.

Badan Palhares aponta homicídio seguido de suicídio. Esse laudo é de 1996. Munõz assinou laudo em 1999, apontando duplo homicídio.

De um lado, o promotor Marcus Mousinho falava de um segundo laudo, da Universidade de Campinas (Unicamp), elaborado oito dias após a morte de Suzana, no qual três substâncias não foram encontradas nas mãos da vítima: chumbo, bário e antimônio, que vêm dos restos dos disparos.

A defesa leva em conta o primeiro laudo: as três substâncias foram encontradas, através do uso de algodão e água destilada, recolhendo os resíduos das mãos.

Segundo os peritos – que constataram homicídio seguido de suicídio – após o tiro em si mesma, a arma de Suzana foi arremessada pelo impacto. A outra bala disparada antes contra PC ficou alojada no corpo dele. A arma foi enviada a Salvador, para exames. Chumbo, bário e antimônio foram as substâncias encontradas nas mãos de Suzana. Nada nas mãos de PC.

Só que este método não é mais usado hoje por não ser confiável, disse um dos peritos, Nivaldo Cantuária.

 

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