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Auditor fiscal que matou universitário é solto pela Justiça

Diário de Pernambuco

A Justiça concedeu habeas corpus ao auditor fiscal João Francisco de Lima Cruz, 39 anos, e ele vai responder o inquérito em liberdade, de acordo com o chefe da Polícia Civil, Manoel Carneiro. O auditor é acusado de atirar e matar o universitário Herbert Lucas Abreu Mendes, 22 anos.

Na noite do último sábado (18), o estudante de fisioterapia pulou o muro do Edifício Maison Chagall, na Rua Guedes Pereira, no Parnamirim, Zona Norte do Recife, bastante alterado e sem trajar roupas. O rapaz, que mora no 2º andar, entrou na sua residência, brigou com a mãe e feriu a irmã a facadas. Em seguida, saiu pelo corredor e agrediu a vizinha Arlete Souza Negrão, 64 anos. Por fim, o jovem subiu até o 4º andar do prédio e invadiu o apartamento do auditor fiscal João Francisco de Lima Cruz.

O auditor estava acompanhado da mulher e da filha. Por medida de segurança, elas se trancaram num quarto e ele foi para outro. O universitário o seguiu. No quarto dele, os dois teriam entrado em luta corporal. O auditor então pegou um revólver calibre 38 e atirou contra o estudante, atingido no peito. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital da Restauração, mas não resistiu aos ferimentos. O enterro do estudante deve acontecer hoje, no município de Cajazeiras, Sertão da Paraíba, onde vive a maioria dos seus familiares.

O suspeito foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), mas disse estar com uma crise de hipertensão e foi levado para o Hospital Santa Joana, onde permanece internado e custodiado por policiais militares. O delegado Humberto Ramos, responsável pelas investigações, autuou o auditor fiscal em flagrante por homicídio. “Ele não tinha porque ter atirado contra o jovem, já que o mesmo não estava armado. O advogado alegou legítima defesa, mas isso quem vai decidir é a Justiça”, afirmou. A arma utilizada pelo suspeito vai passar por perícia. Quando receber alta médica, João Francisco será levado ao DHPP, onde prestará depoimento e será encaminhado ao Centro de Triagem (Cotel).

Na manhã de ontem (19), a irmã da vítima, a estudante de arquitetura Samara Abreu, 18, recebeu alta do Hospital Agamenon Magalhães. Os pais deles estiveram na unidade e conversaram com o Diario. “Meu filho teve um surto psicótico repentino. Ninguém teve paciência com ele. Tentei reanimá-lo, mas o tiro o matou”, lamentou a mãe, a enfermeira Sandra Inês Abrey, 45. A vizinha ferida passou por cirurgia no Hospital Português. Familiares do auditor não quiseram falar.

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