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Atores espanhóis ocupam teatro público contra austeridade

AFP

Atores, diretores e técnicos de um espetáculo trancaram-se nesta quarta-feira em um teatro de Madri para protestar, como parte de uma greve geral de 24 horas na Espanha, contra o “desmantelamento” dos serviços públicos e o aumento do IVA, que pune severamente o setor.

Todos os teatros de Madri, à exceção de um, suspenderam sua programação nesta quarta-feira, segundo a União dos Atores, que acrescentou que os programas de TV filmados em Madri, assim como dois filmes, juntaram-se à greve.

“Desmantelam os serviços públicos na Espanha, a saúde, a educação e também a cultura”, denunciou Iria Moreno, assistente de direção, trancada no Teatro Espanhol, no coração de Madri.

“O movimento é um protesto que faz parte da greve geral, mas acreditamos que temos de ir mais longe, porque as formas que temos de protesto não estão funcionando”, disse.

“Estamos a ponto de chegar à desobediência civil, que é o que fizemos ao nos trancar por 24 horas em um teatro público”, acrescentou.

Desde terça-feira à noite, entre 20 e 30 profissionais do espetáculo permanecem trancados no teatro.

Como parte de um esforço histórico de austeridade que visa à arrecadação de 150 bilhões de euros até 2014, o governo conservador aumentou o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) em setembro.

Um aumento particularmente difícil para o teatro e o cinema, que se beneficiavam até agora de um imposto reduzido de 8%, e que em setembro aumentou para 21% para a cultura.

O governo tem equiparado a cultura ao entretenimento, lamentou Iria Moreno.

“O que estamos percebendo é que as pessoas não podem mais ter acesso à cultura e com isso empobrecemos a nação”, enfatizou.

Uma concentração de artistas foi marcada para esta tarde em Madri, onde duas manifestações também foram convocadas pelos sindicatos e pelo movimento dos “Indignados”.

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