Após ter sido detido por forças israelenses durante uma missão humanitária rumo à Faixa de Gaza, o ativista brasileiro Thiago Ávila anunciou nesta segunda-feira (17) que a coalizão internacional de solidariedade à Palestina já prepara uma nova operação – maior e mais estruturada – para romper o bloqueio israelense e levar ajuda à população civil. A iniciativa contará com mais embarcações e volumes ampliados de alimentos e medicamentos.
Ávila integrava a chamada Flotilha da Liberdade, uma missão civil e pacífica que navegava com destino à costa de Gaza quando foi interceptada, no dia 9 de junho, por tropas israelenses em águas internacionais, a cerca de 100 milhas náuticas do território palestino. Os ativistas, incluindo brasileiros, foram detidos por mais de 20 horas sem acesso a sanitários e submetidos a ameaças e intimidações.
“Ficamos sequestrados no barco em condições degradantes. Fomos levados depois a prisões insalubres, infestadas de ratos, baratas e percevejos. Houve repressão contra quem protestava”, contou o ativista em entrevista à Agência Brasil, após retornar ao país.
Thiago iniciou uma greve de fome dentro da prisão como forma de protesto contra as violações cometidas. Segundo ele, alguns detidos foram isolados ou punidos por se manifestar pacificamente.
A operação humanitária buscava chamar atenção internacional para a situação de crise extrema vivida em Gaza, onde quase 2 milhões de pessoas estão sob bloqueio militar e humanitário. “O que Israel está fazendo é punição coletiva. Há fome, há sede. E o mundo precisa ver isso”, afirmou Ávila.
O grupo, agora, se prepara para retomar as ações. Um novo barco, o Handala, já está em fase final de preparação para uma próxima missão. A ideia é que, a cada nova tentativa impedida, a mobilização aumente.
“Se eles nos atacam, voltamos com mais força. A violência não vai nos parar. Seguiremos em solidariedade ao povo palestino”, declarou.
A interceptação da flotilha gerou repercussão internacional. O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) classificou a ação israelense como um crime de guerra. O Itamaraty também se pronunciou, afirmando que houve violação do direito internacional e do direito marítimo, uma vez que a operação humanitária ocorreu em águas internacionais.
Além da denúncia das condições da prisão, Thiago ressaltou o apagamento da realidade dos prisioneiros palestinos. Segundo a ONG Addameer, mais de 10,4 mil palestinos estão atualmente detidos sob o regime militar de Israel, muitos deles sem julgamento.
A nova missão ainda não tem data definida, mas o grupo internacional garante: Gaza não está sozinha.
*Com informações da Agência Brasil








