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Apreensão de carros de luxo, falência, Globo, prisão: relembre Collor na Lava Jato 

Roque de Sá/Agência Senado

Os últimos nove anos têm sido bem difíceis para o ex-senador Fernando Collor, desde que ele assistiu à apreensão de três veículos de sua coleção luxuosa de carros, saindo pelos portões da Casa da Dinda, em Brasília.

A famosa mansão pertencia ao pai de Collor, o também senador Arnon de Mello (1911-1983), porém ela se tornou mais conhecida quando Collor era presidente da República.

Outrora simbolo de poder e prestígio, a Casa da Dinda foi um dos alvos da operação Lava Jato  em 14/7/2015. Neste dia, agentes da Polícia Federal entraram na residência e saíram dirigindo um Porsche, avaliado em R$ 400 mil, uma Ferrari, que custa R$ 1 milhão, e um Lamborghini, de R$ 2,5 milhões, valores da época.

Neste mesmo dia, Collor, então senador, discursou na tribuna da Casa: “se eu jamais sequer fui ouvido, se eu sequer prestei depoimento, se a operação ainda está na fase de investigação, ou seja, nem denúncia formal ainda houve, pergunto: isso é ou não é um pré-julgamento, uma pré-condenação?”.

Em 22 de agosto de 2017, Collor foi tornado réu pelo STF nas investigações da Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa. A PGR (Procuradoria-Geral da República) ainda havia denunciado o senador por outros dois crimes – obstrução da justiça e peculato -, mas estes não foram aceitos pelo STF.

Os efeitos disso atingiram em cheio as empresas de comunicação do senador. Em 27 de agosto de 2019, o Grupo Arnon de Mello que inclui a TV Gazeta, afiliada da Rede Globo em Alagoas, ingressou com pedido de recuperação judicial. As dívidas ultrapassavam, na época, 300 milhões de reais.

Se os advogados não entrassem com este pedido, os prédios do conglomerado de comunicação de Collor seriam penhorados para pagar o débitos, muitos deles trabalhistas.

Para piorar, ele desistiu de disputar a reeleição em 2022 e a arriscou concorrendo ao Governo de Alagoas. Ficou em terceiro lugar, com 14,71% dos votos.

Um ano depois, a Globo anunciou que não tinha interesse em renovar o contrato de retransmissão com a TV Gazeta, que venceria em dezembro.  A parceria vem desde 1975. Entre os motivos alegados, a Lava Jato e os processos criminais contra Collor, condenado à prisão em 31 de maio de 2023 pelo STF.

Gazeta e Globo brigam na Justiça. O TJ alagoano decidiu que a parceria deveria se estender até 2028. A Globo recorreu ao STJ que estabeleceu prazo de 60 dias para a empresa fechar nova parceria.

A TV Asa Branca, de Pernambuco, instalou seus transmissores em Alagoas e deve retransmitir a Globo

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