Após efeito negativo, Bolsonaro adota tom moderado sobre tarifaço de Trump

Brasília (DF), 26/03/2025 - Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A recente manifestação do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a sobretaxa imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros marca uma inflexão no discurso político que vinha sendo adotado por seus aliados. A tarifa de 50%, anunciada por Donald Trump, deve entrar em vigor no início de agosto e já provoca reações no setor produtivo nacional, especialmente entre exportadores de aço, petróleo e aeronaves — segmentos com forte presença no mercado norte-americano.

Em publicação nas redes sociais, Bolsonaro adotou um tom mais moderado ao abordar os impactos da medida. Ele lamentou os efeitos sobre produtores rurais e urbanos, e sugeriu que a solução para o impasse comercial estaria nas mãos das autoridades brasileiras. A proposta de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e em investigações relacionadas ao seu governo voltou a ser mencionada como possível caminho para restaurar a estabilidade institucional e, por consequência, a confiança internacional.

A carta enviada por Trump ao governo brasileiro não apresentou justificativas econômicas para a decisão. Em vez disso, o presidente norte-americano apontou preocupações com o tratamento dado ao ex-presidente brasileiro pelo Judiciário, classificando o processo como uma “vergonha internacional”. A retórica foi reforçada por aliados de Bolsonaro, que passaram a defender uma saída política para evitar o agravamento da crise diplomática.

Há movimentações para que Bolsonaro seja autorizado a viajar aos Estados Unidos com o objetivo de negociar diretamente com autoridades americanas. O pedido, feito por aliados ao Supremo Tribunal Federal, ainda não foi atendido. Enquanto isso, o governo brasileiro estuda medidas de retaliação, incluindo a possibilidade de aplicar tarifas equivalentes sobre produtos norte-americanos.

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