E manter o discurso de eterno perseguido foi o que levou o ex-procurador da Lava Jato a Brasília e, simbolicamente, pelo Paraná onde foi constituída a República de Curitiba, um condado subcivilizacional onde quem mandava era o justiçamento alimentado por vinganças.
Hoje Deltan Dallagnol reclamou que a decisão do TSE que cassou seu mandato foi uma vingança. Ora, ora, de fato a vida é uma roda gigante.
O Paraná e a Lava Jato revelaram Deltan Dallagnol e o juiz Sérgio Moro. Os vazamentos seletivos, a ambição de chegar rápido ao ápice do poder (aceitando ainda na campanha eleitoral o convite para ser ministro da Justiça de Bolsonaro) deram a Moro ares de um cruzado, aqueles templários servidores de Cristo nos tempos das Cruzadas, desapegados das paixões do mundo e, com honra e glória, dispostos a servirem aos interesses do Senhor.
A sociedade da informação- diferente do obscurantismo no período mais duro da Idade Média- revelaram que Moro e Dallagnol eram apenas oportunistas, com ligações perigosas (os contatos de Moro com os americanos não são por acaso) e forte inclinação de aliar política a heroísmos em busca das tais ‘purezas da alma’, táticas do fascismo.
A Lava Jato ruiu após algumas matérias do The Intercept. Mas o lavajatismo sobreviveu, fez Moro e Dallagnol abandonarem o lado da Justiça e fazerem crer aos seus eleitores que o Brasil era Gotham City e o Paraná acreditou: deu mandato aos seus novos heróis.
Caiu Dallagnol que “ousou combater a corrupção”. Seus eleitores, penalizados, lhe darão um afago (se houver) em nova função pública nas próximas eleições.
Falta Sérgio Moro.
