Qualquer profissional brasileiro teria mais direito de errar o voto para presidente do que nós, professores. O saber deslizou pelas pontas dos dedos por fragilidade no reconhecimento e na pertença do exercício do magistério.
Colher os frutos amargos deste erro não será fácil, nem mesmo para os mais sedados!
No início da afronta que o Escola Sem Partido nos trouxe, alguns de nós preferiu ouvir os direcionamentos da arquidiocese ortodoxa e do pastor fascista; na verdade não foram alguns de nós, foram muitos de nós!
Outra parte se deixou levar por preconceitos, ignorâncias e desconhecimentos injustificáveis, para professores!
Os aguerridos militante da educação libertária e integralizadora encontraram no silêncio conivente e até mesmo na postura rígida de um contra-valor camicase, o dissabor de convívios agressivos nos ambientes de trabalho.
Fake news perversas bombardearam o imaginário da população brasileira na construção da escola erótica, pedófila, pederasta, abortista, que todos nós sempre soubemos que nunca existiu.
Também sabemos que a maior parte de nós é tão engessada para abordar temáticas sexuais que até mesmo nas formações algumas pessoas demonstravam mal estar; como iriam perverter criancinhas?
Mas não reagimos a contento, e deixamos o pastor mentir sobre nossas salas de aula. Deixamos o padre fazer vídeos nos acusando de doutrinação e até mesmo lideranças espíritas dissertaram sobre ideologia de gênero. Mas deixamos a barca correr.
Assim como existiram gays e quilombolas que atiraram nos próprios pés com o voto, os professores que elegeram o Jair praticaram prova de baixa estima profissional, oferecendo o pescoço para a guilhotina medieval cortar.
Não é do nosso interesse promover mais desordem, no entanto, é do nosso dever moral reconstituir aquilo que de algum modo se colabora para destruir, assim sendo, saiam da inércia e parem de envergonhar nossa categoria fazendo defesas ostensivas daqueles que nos desrespeitam e perseguem.
Calem a voz fascista que tem comandado suas escolhas e adesões e honrem a formação docente na versão decente, cidadã e libertadora!
Se não há como derrubar o cadafalso agora, salvem ao menos a dignidade.
Professor agredido e perseguido é sintoma de que há um mal a ser combatido. A hora do bom combate se anuncia.