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Anti-calheirismo é o principal desafio dos Renans em 2026

Após o lançamento de Renan Filho ao Governo e Renan Calheiros para reeleição ao Senado, o anti-calheirismo voltou a circular pelas redes sociais mostrando que o maior desafio de Renan-pai- um dos rostos mais conhecidos, importantes e detestados na política brasileira- é enfrentar a própria biografia, um verdadeiro liquidificador ideológico, cheia de altos e baixos, além de se confundir com a própria história recente da República.

Três vezes presidente do Senado; líder de Fernando Collor na Câmara e depois convertido num dos mais implacáveis inimigos do então presidente da República (hoje os dois são aliados); ministro da Justiça no governo FHC, aliado de Lula, Dilma Rousseff, a favor do impeachment de Dilma, implacável na CPI da Covid, onde foi relator e quis denunciar Jair Bolsonaro pelo crime de genocídio, Renan Calheiros tem um caminho saneado e asfaltado para a reeleição: 90 dos 102 prefeitos lhe garantem voto e estrutura de campanha.

Porém, nos últimos anos, a força de Renan Calheiros passou a ser diretamente proporcional ao anti-calheirismo. E os rivais que apostam nela obtem bons resultados.

Em 2018, Rodrigo Cunha disputava com Renan Calheiros as duas vagas abertas ao Senado. Um dos maiores investimentos de Cunha foi no anti-calheirismo. Calheiros apoiava Maurício Quintella para a outra vaga. E Renan Filho- na época governador e cabo eleitoral do pai- passou a ligar para os prefeitos, cavar mais votos ao pai e pisar no acelerador. Calheiros foi menos votado que Cunha.

Cunha também foi embalado pelo bolsonarismo, que na época garantiu votações recordes a personagens pouco conhecidos na política, mas ele- Cunha – não conseguiu voz nem prestígio no Senado, capazes de construir um grupo com características particulares para enfrentar os Calheiros.

Hábil, Renan voltou ao topo da montanha na CPI da Covid, onde foi triturado pelos Bolsonaro mas também triturou a família, ajudando a derrotar o então presidente da República.

Só que o anti-calheirismo voltou com toda a força em 2022 e quase derrotou o aliado de Renan, Paulo Dantas, que disputava a reeleição ao Governo. Apesar dos Renans mais Marcelo Victor e o presidente Lula no palanque, a margem da vitória foi pequena: 74.294 votos.

Dois anos depois, surfando no anti-calheirismo, o prefeito JHC obteve 83,25% dos votos na reeleição, vencendo o candidato do senador Rafael Brito, que terminou em 12,74%.

Num gesto pouco comum em lideranças bastante experientes, Calheiros antecipou, a um ano e quatro meses das eleições, os nomes do grupo: ele e o filho como as pedras mais importantes no xadrez do Palácio República dos Palmares.

Os mais próximos dizem que isso é demonstração de prestígio e força junto aos prefeitos.

Para os caldistas, a constatação é que ser anti-Calheiros passou a ser bem vantajoso porque o desgaste se dilui ao longo do tempo, aumentando ou diminuindo.

Lógico: para o prefeito de Maceió, o interesse é vencer os Renans.

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