O Globo
Enquanto as forças de Bashar al-Assad continuam sua pesada investida contra bastiões rebeldes, o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, tenta em Moscou convencer a Rússia a usar seu poder de influência para forçar o regime sírio à mesa de negociações e à abertura de um processo político de transição. Moscou tem repetidamente protegido Damasco em votações no Conselho de Segurança da ONU, vetando, junto com a China, resoluções que ponham Assad contra a parede.
O ex-secretário-geral da ONU se encontra hoje com o presidente Dmitri Medvedev, de olho no apoio a um cessar-fogo na Síria que ponha fim à violência que já matou mais de oito mil pessoas – a maior parte em ataques de tropas do governo a áreas civis. Moscou insiste que a violência é resultado de ações dos dois lados e põe igual responsabilidade sobre o regime e os rebeldes. “A Rússia vê um fim imediato da violência na Síria como uma prioridade”, disse o Kremlin num comunicado ontem, véspera da reunião de Annan com Medvedev, marcada para hoje. “A tarefa-chave é convencer a oposição síria a sentar-se à mesa de negociações com as autoridades e alcançar uma resolução pacífica da crise”.
Exército sírio bombardeia cidades em várias regiões
Em continuação à ofensiva militar contra os rebeldes, o Exército sírio bombardeou várias cidades ontem, deixando pelo menos dez civis mortos em Homs, cujo centro foi novamente alvo da artilharia do regime. Quatro soldados também teriam morrido, segundo ativistas da oposição.
– O bombardeio começou como em todas as manhãs, sem qualquer motivo – disse um ativista em Homs.
Terceira cidade da Síria, com cerca de um milhão de habitantes, Homs tem sido repetidamente atacada por ser um dos principais focos da rebelião contra Assad. Nas últimas semanas, o Exército disse tê-la retomado por completo, mas a continuação dos combates revela dificuldades das forças do regime de manter seu controle. Entretanto, o Exército Livre da Síria, a principal força rebelde, tampouco consegue avançar.
– Há apenas alguns rebeldes por aqui, e não há nada que eles possam fazer. O Exército Livre da Síria não conseguiu bloquear os ataques – disse o ativista.
Mais ao norte, uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas num ataque das forças de segurança a Saraqib, perto da fronteira turca. Segundo relatos, mais da metade da população local fugiu diante da ofensiva. As forças de Assad também atacaram Qusair, na província de Homs, e Qalaat al-Madyaq, perto de Hama, matando três civis, enquanto três soldados foram mortos num ataque rebelde na província de Hasaka.