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Andorinha, em todas as Estações

por Ana Luiza Marcolino

Acredite, por onde ela passa faz verão, outono, inverno e primavera.

Uma andorinha só faz todas as estações do ano porque ela contagia o bando, os une por boas causas coletivas de inclusão e dignidade.

A andorinha de verdade reconhece as outras, tanto em pleno voo no céu, como em pleno descanso na superfície de um lindo lago ou na terra seca, rachada pela erosão.

Ela se une às outras andorinhas para mostrar o horizonte para aquelas que não estão enxergando.

Para as andorinhas foi ensinado que são e serão sempre amigas; que a ausência deve ser respeitada tanto quanto a presença; que a empatia é a base da habilidade social.

Andorinhas não vivem pedindo desculpas, são gratas por natureza e a manipulação não faz parte do instinto delas, já que se reúnem sempre em coletivos.

Elas não se juntam com harpias para destruir outras andorinhas, ao contrário, alçam longos voos para alcançar os bandos perdidos, excluídos, enganados, famintos.

Quanto mais a andorinha voa alto, mais aprende que há um momento só seu para cuidar das penas, das unhas, do coração, das asas para poder voar melhor, sem interferências de outras aves destrutivas.

Andorinha que se preza tem para onde voltar quando se cansa de voar.

Ela volta pra casa, mas continua fazendo verão, outono, inverno e primavera.

Quem disse a você que “uma andorinha só não faz verão” é porque esqueceu que ela faz todas as estações e ainda voa mais veloz que os ventos.

Andorinhas não têm medo de voar, nem sozinhas, nem em bando, talvez por isso as harpias as invejem tanto.

*Do Livro Anas em Crônicas e Poesias das autoras Ana Luiza Marcolino e Ana Claudia Laurindo.

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