Análise de risco

Marcio S.S de Araújo e José Cechin- O Globo

O setor de saúde suplementar é acusado de aumentar o número de beneficiários sem ampliar a rede de atendimento. Recentes reportagens tentam fazer crer que a consequência é uma suposta generalizada insuficiência de atendimento. Os segmentos que não aceitam os benefícios proporcionados pela saúde privada partem da premissa de que os prontos-socorros existentes estão superlotados e que isto sinaliza o aumento excessivo do número de beneficiários de planos. A sugestão para se solucionar o problema não deve estar lastreada em uma premissa equivocada, pois poderá deixar sem perspectivas aqueles que depositam suas esperanças, e economias, no setor privado – os consumidores de planos.

O setor de saúde suplementar é responsável pelo acesso de 47 milhões de brasileiros à assistência privada.

Não obstante o benefício do crescimento, em parte superestimado pelo fator de melhoria das bases de dados governamentais, o setor de saúde suplementar ainda é pouco compreendido. É responsável pela produção de 4,7 milhões de internações/ano e 235 milhões de consultas/ano, além de outros eventos assistenciais, desonerando o setor público em R$ 68 bilhões (dados de 2011). Diferentemente de outros setores, o consumo de serviços de saúde depende, em grande medida, de fatores pessoais relacionados às informações, facilidade de acesso e ao ambiente no qual as pessoas estão inseridas. Nos anos mais recentes, por diferentes razões, a limitação de tempo das pessoas é determinante para a procura por serviços de saúde mais resolutivos, disponíveis nos prontos-socorros dos hospitais privados, onde é possível fazer uma consulta médica e complementá-la com exames de toda natureza.

O setor hospitalar investe cada vez mais em qualidade e tecnologia, sendo necessários menos leitos de internação. Ainda assim, o setor privado responde por 289.216 leitos, 63% de todos os leitos existentes, para atender a 25% da população.

O número de reclamações de tempo de atendimento no primeiro semestre de 2012 foi de 7.663, o que representa 0,006% do total de atendimentos realizados no período.

Dados divulgados em novembro de 2011 reportavam que os principais hospitais privados do país planejavam investir nos próximos três anos quase R$ 4 bilhões, parte na construção e expansão de hospitais e parte na aquisição de novas tecnologias para diagnose e tratamentos. Para o Rio noticiava-se a construção de hospitais privados com mais de 600 novos leitos.

Entre 2007 e 2011, o número de leitos dos hospitais passou de 5.047 para 9.071, um crescimento de 79,7%. Observe-se, por oportuno, que 94% das receitas desses hospitais provêm dos pagamentos feitos pelas operadoras de planos de saúde. O setor de saúde suplementar não pode ser bem compreendido com lentes microscópicas.

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