Eu sou uma árvore plena de folhas
das cores da alma, da dança e do canto à vida.
Árvore, eu sou.
A minha semente foi plantada pelos meus ancestrais.
Cheguei aqui por meio de pássaros livres e alegres
cantadores.
Minhas raízes são profundas; bem fixadas no solo do amor, elas absorvem a água da paz e a luz da sabedoria, indispensáveis para a evolução de meu ser.
Meus galhos são abrigos; tenho alguns tortos pelas dores, mas todos são fortalecidos pela fé.
Meu tronco firme sustenta esses galhos da vida e da emoção, como
também as folhas da alma e os frutos da razão.
Minha sombra frondosa alivia mentes aceleradas e corações
cansados; abriga inconscientes adormecidos e consciências em
expansão.
Árvore, eu sou.
Os ventos tempestivos e os pilotos automáticos não me assustam.
Eu tenho mesmo é compaixão de um ser que chamam de homem,
quando ele sai em seu piloto cruel, passa por cima dos elementais que
tomam conta da floresta e, com sua motosserra, corta as árvores,
destruindo-as em pedaços que, depois, queimam no fogo de suas
usuras.
Eu sou uma árvore.
Ainda que me cortem, me queimem e me destruam, renascerei, porque da semente que nasci , há muitas se multiplicando na terra e tantas outras no céu.
Árvore, eu sou.
*Do Livro Anas em Crônicas e Poesias das autoras Ana Luiza Marcolino e Ana Claudia Laurindo, lançado na XI Bienal Internacional do Livro de Alagoas, em 2 de novembro de 2025.








