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Amem os cães mas também as pessoas

Sinto muito por essa necessidade de estancar no meio da correnteza que arrasta e comove, atrasando a força da narrativa que parece reunir todos os bons sentimentos em torno da vítima de violência mais famosa do Brasil, o cão Orelha.

Em nenhum momento discordo. A justiça no Brasil tem cor, classe, nível cultural e compadrio institucional. Mas a comoção também é seletiva.

Há 16 anos vi meu sangue derramar e meu amor maternal ser pisoteado no chão da violência. Meu filho Alexystaine tinha direito a viver! Mas a maldade humana reafirmou poderes sobre sua beleza viva, lhe sentenciando a morte violenta e banalizada, emplacando frívola narrativa para lhe consagrar o desprezo. A sociedade silenciou.

Vocês não imaginam como tentamos angariar qualquer naco de apoio. Não, vocês não imaginam como foi importante uma voz ou outra que se ergueu em nossa causa. Vocês jamais imaginarão o que é lidar com as camadas da morte imposta a um jovem. Vocês não imaginam o quanto a indiferença aumenta a dor.

Sigam fagueiros e determinados defendendo a vida. O façam para todas as espécies. Inclusive a humana.

SOBRE O AUTOR

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