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Ameaçada de virar “ovóide”analiso discurso espírita mediano

Faz algum tempo que não encontrava motivação igual a esta para utilizar os recursos da Análise do Discurso, este instrumento sempre válido para quem lida com sociedade e lutas por hegemonia.

Mas o comentário feito com esmero no último texto que publiquei no blog veio cheio de riquezas discursivas, para que esmiucemos na tentativa nobre de compreender possíveis motivações para o daltonismo que domina o meio espírita conservador.

Vamos então à análise:

Sua vaidade calcada na parca titularidade e sua vontade de derrubar a Bastille de sua alucinação formada por sua ideologia esquerdista e a malta de seus espíritos fascinadores exibem sua verdadeira face: um ser que quer virar do avesso o códice kardequiano. Tudo para ter poder. Cuidado senhora: os tempos sào chegados e esta sua militância em favor das sombras a encaminha para o destino dos espíritos renitentes no erro e orgulho maldoso: transformar se em ovóide.
Seu texto é sinal de que a Terra deixará de ser planeta de provas e expiações e que obsedados como você reencarnarão, se misericórdia houver ainda, em astros longe da menor fagulha de paz.

Pela ética que caracteriza nosso trabalho, omitiremos os dados da pessoa comentarista.

“Sua vaidade calcada na parca titularidade” é a frase inicial, a revelar o parâmetro da titulação para admitir que o livre pensamento ganhe legitimidade. Neste caso, nem mesmo uma graduação em Ciências Sociais e um mestrado em Educação Brasileira foram considerados suficientes para que esta blogueira pudesse escrever sobre o “Bolsonarismo e o gozo da morte”, título do texto.

Em um contexto de baixa intelectualidade como o que caracteriza a governança tupiniquim, a exigência posta soa distópica, mas revela o antigo gosto da elite mediana em humilhar “analfabetos”, promovendo espetáculos de horror sobre os currículos de média formação. Nós também sabemos a quem eles costumavam dirigir tais considerações, ao passo que adormecem as críticas diante dos ministros/sinistros de Bolsonaro e seus filhos semi-alfabetizados.

A exigência seletiva, portanto, cai por terra e não afeta o currículo como pretendido pela escrevinhadura mal intencionada.

“[…] e sua vontade de derrubar a Bastille de sua alucinação formada por sua ideologia esquerdista’, é frase negacionista, que trabalha a desqualificação da luta histórica contra a opressão das estruturas de poder. Esta intencionalidade é revestida de teor perverso, pois que relega à imaginação do oponente ideológico o fato apontado por suas reivindicações, denúncias e anunciações. Muito comum encontrar esta características em componentes de grupos privilegiados, que não possuem interesse algum em conhecer os ângulos das realidades do desconforto histórico, que poderiam furar suas bolhas. Expressão renhida do egoismo que reduz as dores alheias a murmúrios sem sentido.

“[…] e a malta de seus espíritos fascinadores exibem sua verdadeira face: um ser que quer virar do avesso o códice kardequiano.” Agora chegamos ao cerne da questão: é espírita! A linguagem rebuscada denuncia contato com as obras basilares, embora isso não seja garantia de justa interpretação. Na tentativa de retirar do escrevente a capacidade de expor em linhas críticas o que está sendo expresso, a pessoa comentarista faz alusão ao processo de fascinação espiritual, como sói acontecer com todos aqueles que materializam o confronto teórico e político com as posturas da Federação Espírita Brasileira. E se no caso, nossa pretensão fosse mesmo avessar Kardec, como estaríamos fazendo exatamente aquilo que o codificador fez, quando assumiu autonomia para criticar o que lhe era trazido como verdade? Não serão as tentativas de silenciamento do outro que deturpam o legado de Allan Kardec?

Tudo para ter poder.” O código proibido aos que estão fora das bolhas convencionais. O desejo do poder não é aceito quando emerge das camadas populares, das pessoas sem titularidade, sem distinção reconhecida pelo pseudo-Olimpo da magia que encanta a elite mediana brasileira. De cá, gargalho, e assevero que o poder de comunicar e ampliar questões em defesa da vida já possuímos.

Cuidado senhora: os tempos são chegados e esta sua militância em favor das sombras a encaminha para o destino dos espíritos renitentes no erro e orgulho maldoso: transformar se em ovóide.” O decreto baixado pelo além aos desobedientes, subversivos, que incomodam os institucionalizados de fala mansa, cheios de “assim seja” nas bocas plenas de conveniências. Será mesmo que a pessoa comentarista acreditou que nos assustaria com tão fantástica ameaça? Qual pesquisador da obra kardeciana daria crédito a tal reação, que tem como único propósito coibir um trabalho de esclarecimento? O uso do discurso futurista errático como intimidação é bárbaro exercício de poder, mas apenas surte efeito sobre a ignorância.

Seu texto é sinal de que a Terra deixará de ser planeta de provas e expiações e que obsedados como você reencarnarão, se misericórdia houver ainda, em astros longe da menor fagulha de paz.” A abalada misericórdia do objeto de crenças da pessoa comentarista, repete a expulsão do paraíso, a excomunhão e o degredo, instrumentos antigos de subjugação do alheio pelas vias da religião. Eis a dissecação breve da conjuntura discursiva do mediano espírita brasileiro, que caminha incomodado e reúne vilezas, comprometendo os próprios órgãos ao aninhar ódio, no espaço destinado ao amor.

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