Alves Correia: "Falta é liderança em Arapiraca"

"Falta é liderança. Porque não tem ninguém lá em Brasília que brigue, que mostre empenho, que mostre isso no local e no nacional. A gente só vive lascado. Tem gente que tem de trabalhar. Ao lado do bonito e do feio".

O radialista Alves Correia é candidato a prefeito de Arapiraca. Não abre “nem para um trem”, como disse nessa entrevista. Ele comanda o programa “Festa do Povão”, na rádio Gazeta de Arapiraca. Não quer ser vice, não tem medo das acusações de desviar R$ 300 milhões da Assembleia Legislativa, não teme mostrar seu aliado, o vice-presidente da Assembleia, deputado Antônio Albuquerque (PT do B), no palanque.

Alves Correia falou da saúde, da segurança pública. Ataca o governador, o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (PMDB), ironiza o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros. “Falta é liderança. Porque não tem ninguém lá em Brasília que brigue, que mostre empenho, que mostre isso no local e no nacional. A gente só vive lascado. Tem gente que tem de trabalhar. Ao lado do bonito e do feio”.

Veja:

Alves Correia, candidato a Prefeitura de Arapiraca. Procede ou é “fogo de palha”?

Procede. Sou candidato. Não abro nem para um trem. Só se esse trem for divino.

E quais partidos acompanham o senhor nesta empreitada?

Estamos conversando. Não posso dizer nomes nem quantidade.

O Palácio República dos Palmares chamou o senhor para alguma conversa?

Não.

E o grupo da deputada federal Célia Rocha (PTB)?

Também ninguém me chamou.

Pois os dois grupos juram que o senhor seria um ótimo vice.

Tem que existir humildade dos dois lados. Pesquisas extraoficiais dizem que estou em segundo lugar. Como ser vice?

Todos querem Alves Correia, mas ninguém quer ser vice dele. Ouviu essa história?

Ouvi. E insisto que tem de se ter humildade. Não sou vice. Insisto.

Célia Rocha e Rogério Teófilo. Porque eles candidatos?

A Célia quer a Prefeitura porque ela me disse que as única pessoa que segura a eleição, que é considerada forte para isto, é ela. E que as outras pessoas não segurariam. O ex-superintendente da Caixa Econômica Federal não segura. Já o Rogério tem que ser candidato porque ele acredita que essa é a vez dele. E o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) está com ele na disputa.

Está preparado para enfrentar as acusações de que participou da fraude na Assembleia Legislativa, que desviou R$ 300 milhões?

A única pessoa que falou sobre isso fui eu, no rádio, em resposta aos ouvintes. Eu já me expliquei. Não temo.

E ter um aliado no palanque como o vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Antônio Albuquerque (PTdoB), acusado de comandar a fraude na Casa de Tavares Bastos e de assassinato?

E daí ter o Albuquerque no palanque? Não estou preocupado. Conheço o Albuquerque desde os 16 anos. E para mim ele só tem feito o bem. Quando recebi os tiros em 1993, quem pagou o Hospital Santo Antônio foi ele. Os outros nem ajudaram. E o Albuquerque não era nada nesta época, depois ele virou deputado.

Então, é dívida de gratidão?

Não é isso. Ele nunca me fez mal. Nem para as pessoas que eu conheço. Quando se exerce um mandato, há pessoas que se aproveitam para dizer o que querem e não querem ouvir. Tem pessoas que têm medo de serem desmoralizadas, mas não podem responder por causa do mandato. Não vou engolir isso. Se tentarem me desmoralizar, vão receber na mesma moeda. Vai ser pesada a resposta.

Vale falar da “mãe do outro” no palanque?

Para mim, não. Vou falar das falhas da Prefeitura. Segurança não existe. As pessoas falam que a responsabilidade é do Governo. É do prefeito também. Ele é o dono da casa. Se ele não pode colocar polícia, pode ajudar nas condições. A saúde também tem problema. Tenho um programa de rádio. E as pessoas falam disso.

Qual o problema?

Pintam um cenário colorido, de que tudo está bem. Mas, tá aí o pessoal sem médico, remédio nos postos. Uma mãe levou uma criança de três anos com o braço quebrado para o estúdio da rádio. Ela procurou o Hospital. O cara disse: ‘Vou enfaixar e procura um hospital particular’. O hospital cobrou R$ 600. Era uma cristã, humilde. Em 15 minutos, no programa, ela arrumou o dinheiro.

E os apagões em Arapiraca. Muita promessa e pouca prática, não é verdade?

Continua. Veja: Arapiraca tem nomes de expressão nacional: Célia Rocha, Luciano Barbosa, Renan Calheiros, Teotonio Vilela Filho. E não resolvem.

Falta dinheiro?

Falta é liderança. Porque não tem ninguém lá em Brasília que brigue, que mostre empenho, que mostre isso no local e no nacional. A gente só vive lascado. Tem gente que tem de trabalhar. Ao lado do bonito e do feio.

Que “bonito” e “feio” é esse?

É bonito você ter um Instituto de Criminalística que recolhe um corpo estendido desde às sete da manhã só às duas a tarde? Fica o corpo lá, no sol quente. Por isso tem gente que não gosta de mim. Saí com uma carroça, com um caixão em cima. Era o “carro” do IML. Dizem que sou isso ou aquilo. Tem que me conhecer.

Quem é Alves Correia?

Um cidadão que tem filhos nascidos em Arapiraca. E os que me ouvem pelo rádio sabem disso. Tem gente que não gosta de mim, por causa do meu vocabulário que só fala putaria.

Qual o seu sonho?

Ser o melhor prefeito de Alagoas.

Quem ocupa esse posto de melhor prefeito hoje?

O Cícero Almeida. Quando ele chegou, a elite olhou para ele e disse que não resolvia nada. O melhor prefeito de Alagoas veio de baixo.Trabalhei com ele na AM 710 e na rádio Progresso. Era repórter, era motorista.

E essas conversas com o deputado Ricardo Nezinho (PT do B)?

Somos bons parceiros. Ele me ajudou e me ajuda. Eu o ajudo. A irmã, Raulene, pode ser uma vice. Mas, esse entendimento é feito pelo presidente do meu partido, o Marcus Toledo.

E como fica o “Derrubado”? Acaba o programa, se ganhar?

Continuo no rádio. Dou expediente depois do programa. Ficam dizendo que vou abandonar. Nem quando foi vereador nem quando fui deputado abandonei. Quero o povo de Arapiraca conversando comigo, ao vivo. Quando for necessário ir a Brasília? Falo de lá, faço entrevistas de lá.

Célia Rocha e Rogério Teófilo eram aliados. Depois se dividiram. Imaginou que, em uma casa, a mulher vota em Célia e o marido vota em Rogério? Como resolver isso?

Votando em mim. Vota em mim para acabar com essa confusão (risos).

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