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Aluna de escola pública faz homenagem ímpar a Nise da Silveira

Nise da Silveira – O Olhar que Nunca se Fecha

 

De Alagoas nasceu teu sopro,

teu farol tão necessário

voz de chama que acendia

cada canto solitário.

No sertão de terra quente,

teu destino foi plantar,

no terreno da loucura,

um jardim pra perfumar.

 

Diziam: “É gente perdida, sem remédio. sem razão”.

Mas em teu peito não cabia

tanta indiferença em vão.

Preferiste a rebeldia

que não pede permissão,

abraçaste cada mente

com inteira compaixão.

 

Num Brasil endurecido

por censura e por mordaça,

foste lume no caminho

que a ciência não abraça.

Camisa de força rasgastes,

preconceito desmontastes,

e na sombra do abandono

outro mundo desenhastes.

 

Tua história é feita de luta,

tua luta é feita de afeto,

teu saber rompeu as grades

que chamavam de projeto.

No hospício tanto silêncio,

tanto medo, tanta dor;

teu olhar foi claridade,

teu cuidado era calor.

 

Pinceladas de esperança

sobre telas tão sofridas.

Cores vivas que contavam

cicatrizes esquecidas.

Era arte, era protesto!

Era cura no processo.

Era o grito mais humano

que subia do regresso.

 

Te chamaram de teimosa,

de sonhadora insana,

não sabiam que teu gesto

era chama soberana.

Pois quem crê na dignidade

não se rende à exclusão,

teu trabalho foi poema,

teu ofício redenção.

 

Quando a ciência dizia

que era só anomalia,

teu afeto respondia:

“é também poesia”.

Cada quadro um universo,

cada cor uma memória,

cada traço se erguendo

para reescrever outra história.

 

Do Engenho de Dentro ao mundo,

teu legado navegou,

dos salões até as praças,

tanta gente despertou.

E a loucura foi desfeita

como véu que cai no chão.

Teu olhar virou certeza

de que há vida na paixão.

 

Quantos nomes apagados

pelo medo e pela pressa,

quantos corpos sufocados

no silêncio da promessa.

Mas tu viestes dizer

que ninguém é só doença,

que a ternura quando chega

desfaz toda indiferença.

 

Nise, mestra, companheira,

tua história é chama acesa.

Tua vida é testemunho,

teu saber é fortaleza.

Centenária e tão presente,

tão moderna no cuidado.

E essa história segue viva,

para todos um legado.

 

De Alagoas veio o grito

que alcançou todo planeta,

teu exemplo tão bonito

já venceu qualquer receita.

Pois amar é resistência,

acolher é construção,

tua luta é esperança

que renasce em cada mão.

 

120 anos!

Te saudamos com respeito.

Cada vida resgatada

traz teu nome no seu peito.

És a prova incontestável

de que a mente não tem jaula,

de que a arte é passaporte

que liberta e nunca cala.

 

Quem te lê, quem te estuda,

quem te sente em cada gesto,

sabe bem que teu legado

é futuro manifesto.

Pois onde houver preconceito,

indiferença ou opressão,

tua memória será ponte, será casa, será chão.

 

E assim seguimos teus passos,

nessa trilha tão bonita,

a saúde que humaniza,

a ciência que acredita.

Cada traço, cada sonho,

cada riso iluminado,

é a prova de que teu nome

é pra sempre celebrado.

Nise Magalhães da Silveira

mulher de força infinita,

tua história é esperança

que o tempo não limita.

 

Kailany  Calheiros, aluna do Ensino Médio em Matriz de Camaragibe, Alagoas.

 

SOBRE O AUTOR

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