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Aliança pelo Brasil para matar deixar de ser crime, mas necessidade humana

Uma das necessidades que o Aliança pelo Brasil busca é o convívio natural com as armas de fogo, como nas mãos do caçador em busca de sua presa; como pronta para disparar e debaixo do travesseiro em defesa de seus bens mais caros; como um cruzado que, na Idade Média, ainda antes da pólvora, era exaustivamente convencido a se vestir de guerreiro e lanças para matar ou morrer em nome da liberdade das terras onde Cristo andou de pés descalços.

Nos últimos dias, a palavra “morte” e seus sinônimos são massificadas nas redes sociais onde os bolsonaristas trocam mensagens e ajudam a manter a chama ardente do ódio. Coincide com o lançamento da campanha por assinaturas do Aliança pelo Brasil.

Repetição da morte constrói fanáticos. E quem espalha esta mensagem sabe disso.

Ameaça e ter uma arma para enfrentá-la. Lá fora, as presas querem dividir os bens de todo mundo. Não, não pode. Matar é legítima defesa.

Eles desejam violar minhas filhas. Matar é legítima defesa.

O professor quer estuprar meus filhos, ensiná-los a fumar maconha. Matar é legítima defesa.

Como nos comerciais americanos sobre armas. Armas para mulheres empoderadas, homens sem medo. Legítima defesa.

O Aliança pelo Brasil cumpre uma profissão de fé na sua obsessão por limpar o mundo da sujeira, o que ameaça a limpeza, a pureza.

Matar está na placa feita com cartucho de balas; matar está no número 38, calibre popularizado no jargão policial, arma de bandido, de ladrão, de vagabundo; matar está no símbolo de arminha, no “morte aos esquerdistas”.

Matar, matar. Matar. Obsessão do pensamento único, da ideia de cima para baixo, de comandantes para comandados.

A democracia é também o convívio com os diferentes. Mas, na morte repetida o tempo inteiro (e a necessidade da legítima defesa, portanto estar armado), superar contradição pela conversa ou o diálogo é demorado.

Matar é preciso. A arma pendurada na sala, ao lado da foto com a família, é um objetivo aos fanáticos da Aliança.

Nesse mundo, quem se opõe têm de morrer. Isso é justiça, não assassinato. Na caça, a presa pode devorar o caçador. Vigiar para matar, em defesa do meu bem-estar.

E libertar o mundo do mal.

A paz de cemitério das ditaduras.

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