“Alguém vai para a cadeia”, diz Lula sobre alta irregular do diesel

17.02.2024 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de Abertura da 37º Cúpula da União Africana, na Sede da União Africana. Adis Abeba - Etiópia.

 Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (1º), que o governo federal e os estados intensificaram a fiscalização sobre o preço do óleo diesel em todo o país.

Durante entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, no Ceará, o mandatário alertou que a atuação conjunta da Polícia Federal e dos Procons estaduais deve resultar em prisões caso sejam confirmadas irregularidades na ponta do consumo.

A medida visa garantir que a isenção de impostos federais chegue efetivamente ao bolso do consumidor, combatendo o que o presidente classificou como má-fé de setores que mantêm os preços elevados mesmo após as desonerações.

A ofensiva do Planalto ocorre após a gestão zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível, uma renúncia fiscal que representa uma redução teórica de R$ 0,32 por litro.

Lula criticou duramente estabelecimentos que, segundo ele, ignoram o benefício fiscal para ampliar margens de lucro de forma indevida.

O presidente enfatizou que o governo não aceitará que o esforço arrecadatório da União seja neutralizado por altas injustificadas, reiterando que o monitoramento será rigoroso para punir quem descumprir as diretrizes econômicas vigentes.

Além do cenário interno, o petista assegurou que o Brasil trabalhará para blindar os preços domésticos de choques internacionais derivados de conflitos no Oriente Médio.

Ao citar as figuras de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, Lula declarou que o país não permitirá que as tensões externas tenham impacto direto nos produtos nacionais.

O presidente também aproveitou para distanciar sua estratégia energética da utilizada na gestão de Jair Bolsonaro, argumentando que o contexto atual exige soluções distintas e criticando a postura de potências globais em relação a acordos nucleares passados com o Irã.

Para o chefe do Executivo, o conflito no Irã é desnecessário e poderia ter sido evitado por meio de diplomacia, citando tentativas anteriores de mediação brasileira.

Lula defendeu que o Brasil possui autoridade para tratar do tema por adotar métodos de enriquecimento de urânio para fins pacíficos, lamentando que propostas anteriores não tenham sido aceitas pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

O foco do governo, no entanto, permanece na contenção da inflação interna, tratando a estabilidade dos combustíveis como um pilar central para evitar o efeito cascata nos preços de alimentos e transporte.

.