A invasão do plenário e da mesa diretora da Câmara e do Senado por bolsonaristas teve um personagem alagoano: o deputado Alfredo Gaspar de Mendonça, hoje filiado ao União Brasil, comandando em Alagoas por Luciano Cavalcante (Arthur Lira).
Gaspar busca o comando da legenda mas deve mesmo mudar de partido para agregar o bolsonarismo local e se afastar de Lira, mas permanecendo à sua sombra.
Pode ir para o PL ou o Novo. Ou qualquer outro que não seja da base do presidente Lula.
É candidato à reeleição. Se se lançar ao Governo terá o apoio ainda que informal de Lira. Se for disputar vaga ao Senado – hipótese menos provável- é para derrubar Renan Calheiros, e facilitar a vitória do ex-presidente da Câmara.
Alfredo Gaspar estica a corda em Brasília, busca confronto com Alexandre de Moraes, ataca Lula, mas nada disso é pior que o engajamento dele entre os bolsonaristas mais radicais.
Ao fim e ao cabo, dança no baile pouco perfumado do poder a qualquer custo, sem medir as consequências. Ou melhor, tendo as consequências sob seu controle.
Ao apostar no quanto pior, melhor, Alfredo Gaspar destrói o próprio passado como chefe do Ministério Público Estadual, se transforma em um comum soldado do golpismo para chegar ao topo da cadeia alimentar do bolsonarismo.
Não é simples nem fácil, mas ele prova, a cada dia, que não é impossível.




