Emancipe nosso povo, terra mãe!
Para que não precise migrar, oferecer a outras plagas o sal do próprio suor, para conseguir o pão.
Mobilize nosso povo, terra mãe!
Por mais causas coletivas, sanando a dor das solidões.
A miséria da alma que decide a miséria do bolso alheio, seja reduzida, seja extinta.
Não haveria como celebrar teu aniversário administrativo, sem fazer uma ode aos teus filhos despossuídos.
Sem esperar amanhã o hoje fenece.
Tua juventude negra, mestiça, não merece genocídio; teus trabalhadores desempregados se lançando ao suicídio e a loucura apontando a solução no homicídio. Não dê vazão a esta antropofagia!
Embala as fantasias das marés mansas, e salva em cada peito alagoano um riso de criança.
Terra de mariscos e lagos rasos, acata este desafinado gesto aqui manifesto, e emancipa teu povo.
Recolhe os pedaços do ontem ensaguentado e constrói um panorama com justiça, ainda que remendado.
Ai lagoas violadas.
Ah lagoas insubmissas!
Alagoas, nosso desatino poético amado.
