O poder precisa ser observado, acompanhado, cobrado, até que aprendamos com ele a lidar com suas peraltices, artimanhas e até com as crueldades. Não adianta mesmo ficar em nossos mundos, como se isolados pudéssemos viver; ele está a decidir o que comemos e vestimos, como vamos viver e morrer, a história de todos nós passa pelas decisões do poder. O que justifica então, continuarmos reverenciando esses meninos bem vestidos, de tantos poderes revestidos, como se fosse uma peça de teatro? Como de estivéssemos apenas na torcida?
É o plano de saúde que é alterado, se tornando co-participação…é aí? O pagante vai pagar dobrado!
É a comunidade tradicional que é destruída, o povo espalhado. Parte da imprensa fala e a outra cala, depois o esquecimento passa o cimento e todas as bocas viram túmulo.
Mas a festa na praia é envolvente. Um endeusa o verão e o outro as prévias no carnaval, todos elogiamos, cantamos e dançamos, retornando em popularidade agradecida aos executores de uma vida real que pesa sobre trabalhadores e tantos excluídos, a fama por alegrar a nobreza. Os que fantasiam de nobre todos os dias, ano após ano, raspando com dedos de gigante as sobras das mesas do poder, tiram fotos expondo felicidade. e teria entrado por um pé de pinto e saído por um pé de pato, se não tivesse tantas lágrimas invisíveis molhando o chão.
Zé Vaqueiro tinha 63 anos e morreu no final de semana passado no Hospital Geral do Estado, após amargar muito tempo no corredor da morte, com aneurisma e sem atendimento em unidade intensiva, como seu caso requeria. Ao vagar espaço na UTI, ele já estava em coma e considerado perdedor na loteria da salve-se quem conseguir. Como isso pode ser normalizado Alagoas?
Mas o meninos vestidos de ternos de luxo, espalham frases de efeito nas mídias e desfilam juventude nos espaços seletivos, empolgando, incentivando a fauna faminta de status e qualquer brecha, na esperança de saborear também as ilusões de intangibilidade que o poder gera.
Enquanto isso, afetados e excluídos de todos os portes, esfacelados na subjetividade, vagam.
Moramos na terra da desesperança social.
Apenas o mar recebe todos os corpos que nele se jogam, acarinhando com seu sal as feridas. Tudo mais é seletividade, distanciamento e execuções.