Alagoanos tentam a sorte no Catar

A família de Netinho e Marcos Paulo ficou em São José da Laje, interior de Alagoas. Humildes, seus pais e os outros três irmãos dependem do sucesso da dupla, que busca uma vida melhor, mesmo que não seja como brasileiro

Estadão

Cifras inimagináveis, falta de oportunidade no futebol brasileiro ou o poder de convencimento dos empresários são alguns dos motivos que fazem a cada dia mais jovens deixarem o País para se aventurar em terras catares. Ao conversar com alguns desses jovens talentos que tentam a vida no Catar, fica claro que o real objetivo era permanecer no Brasil. Mas quando olham para seu extrato bancário, o pensamento logo muda.

Existem basicamente dois times de jovens jogadores no Catar. Aqueles que chegam apenas para atuar em um time, mas vão bem e os dirigentes locais o abordam para naturalizá-lo, e os que saem do Brasil já com o objetivo de se tornar um catariano e representar uma nação da qual muitas vezes eles nem sabem a cor da bandeira ou o idioma.

É o caso do goleiro Ivan, mais conhecido como Neneca. O garoto de 20 anos e nascido em São Vicente começou na base do Santos, mas com 18 anos foi levado para o Al-Shamal, time da Segunda Divisão do Catar, com um objetivo: trabalhar para se tornar o goleiro da seleção do país.

“Durante os treinos, o nosso preparador de goleiros, que é brasileiro (Airton de Souza), me dizia que eu tinha que trabalhar forte porque eu era o futuro do país. No início não aceitava muito isso, mas agora entendo e estou gostando dessa responsabilidade”, disse o jovem.

Atualmente, Neneca defende o Al-Jaish, da Primeira Divisão, e apesar do interesse em voltar ao Brasil, já se prepara para representar o Catar. “Queria muito ser reconhecido pela torcida do Santos, mas aqui sou respeitado e vejo que os torcedores gostam muito de mim. É difícil largar tudo isso. Quero fazer história aqui.”

Uma das formas que os clubes e a federação local usam para tentar convencer os garotos a ficarem no país é oferecendo regalias. É comum ver jogadores morando em grandes casas doadas pelo clube em que atual. Eles ficam tão empolgados com a “vida boa” que acabam convencendo outros e até os seus familiares que é bom negócio ficar.

O meia-esquerda Netinho, de 20 anos, por exemplo, que chegou a atuar com Neymar na categoria infantil do Santos, está encantado com as maravilhas do país árabe. “Muitos garotos chegam aqui falando que querem ir embora. Eu mesmo falei isso no começo, por causa do calor e cultura totalmente diferente. Mas aqui é uma maravilha e é onde tem o dinheiro. O que ganho no Catar nunca ganharia no Brasil. Amo esse lugar”, disse o meia, que chegou ao país com 18 anos. Fazia parte de um grupo de garotos levados para fazer testes, mas só ele foi aprovado.

Animado, não demorou para Netinho convencer seu irmão Marcos Paulo a também ir para lá. O jovem de 16 anos e que atua como meia e atacante está no país há seis meses e vem sendo convencido pelo irmão que lá é o paraíso. “O clube nos dá tudo o que precisamos. Realmente é muito bom aqui”, disse o garoto.

A família de Netinho e Marcos Paulo ficou em São José da Laje, interior de Alagoas. Humildes, seus pais e os outros três irmãos dependem do sucesso da dupla, que busca uma vida melhor, mesmo que não seja como brasileiro.

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