O acordo Braskem-Casal que entregou o sistema Catolé-Cardoso para a mineradora por R$ 108,9 milhões, foi digitado na própria Braskem, segundo apurou o blog.
Revelado pelo EXTRA há duas semanas, o acordo- até então secreto e com cláusulas de confidencialidade- põe em dúvida o futuro do abastecimento de 250 mil pessoas atendidas pelo sistema Catolé-Cardoso.
A Casal diz que fará um novo sistema, porém não revela datas. E tanto a estatal quanto a mineradora recorrem às cláusulas de confidencialidade para não detalhar o acordo.
Os detalhes do acordo Casal-Braskem são de indenização e integral quitação do sistema Catolé Cardoso, no bairro do Bebedouro, ainda em operação mas que a parte sob responsabilidade da Casal será descomissionada. A decisão acontece após o sistema ser atingido pelo afundamento do solo que afetou bairros inteiros na capital alagoana no início de 2018.
Inaugurado em 1952, o Catolé-Cardoso foi, durante décadas, o principal sistema de abastecimento de água potável na capital. Atende a mais de 250 mil pessoas, é um dos três sistemas de abastecimento de Maceió e o segundo em captação superficial: 320 litros por segundo. Os outros são o Aviação (197 litros por segundo) e Pratagy (890 litros por segundo). Além de captar a água, o Catolé tem estação de tratamento.
Está localizado na área de proteção ambiental do Catolé e Fernão Velho, ocupando 2.168,22 hectares e se espalhando por partes de Maceió, Satuba, Santa Luzia do Norte e Coqueiro Seco. O reservatório é abastecido pelas águas do riacho Catolé.
A Casal e a Braskem acordaram que o valor da indenização pelo crime ambiental que afetou o sistema foi de R$ 108.904.627,03, pago em três parcelas, já quitadas. O acordo foi fechado no final do ano passado e tornou a Braskem dona do sistema.
