A Polícia Federal investiga o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar pessoas próximas à família Bolsonaro — inclusive aliados. Segundo informações reveladas pelo colunista Paulo Cappelli, do Metrópoles, um dos alvos da chamada “Abin paralela” foi Allan Lucena, ex-sócio de Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente.
Documentos e fontes envolvidos nas investigações apontam que agentes da própria Abin, sob a direção de Alexandre Ramagem, operaram um sistema clandestino de monitoramento sem autorização judicial. O caso envolve o uso do sistema de geolocalização FirstMile, que permitia rastrear, em tempo real, a movimentação de alvos a partir do número de celular — ferramenta que deveria ser usada apenas para investigações oficiais, com respaldo legal.
Além de Lucena, outro nome citado como alvo da espionagem é o empresário Luís Felipe Belmonte, que teria auxiliado a família Bolsonaro em reformas e estruturação de imóveis. O relatório da PF destaca que a vigilância sobre essas pessoas partia da tentativa de “mapear e controlar” o entorno de Renan Bolsonaro, considerado por aliados como o filho mais “incontrolável” do ex-presidente.
Espionagem a favor e contra
As revelações reforçam as denúncias de que a “Abin paralela” não atuava apenas contra opositores, mas também era usada para vigiar aliados e pessoas próximas da família Bolsonaro. O objetivo, segundo apurações, era proteger interesses do núcleo político mais próximo ao ex-presidente, com monitoramento seletivo para evitar desgastes ou escândalos.
A prática é considerada inconstitucional e configura abuso de poder e instrumentalização do Estado para fins pessoais.








