A contemporaneidade lida com seus fenômenos de destruição do que é sólido a partir das luzes ofuscantes do tribunal das redes sociais, onde cada objeto é posto com finalidade pré-determinada, para ser louvado ou odiado, imitado ou destroçado, sem espaço para análises ou argumentos lógicos, porque o amor é materialista e insólito e o ódio é voraz e animalesco.
Quem ganha com essa força de gravidade que tudo derruba? As big techs e o poder político fomentado no Vale do Silício, que com sua natureza econômica predatória, passou a se alimentar de humanidade e persegue a história com ânsia de destruição de tudo o que faz referência ao ser social fora das raias do consumo.
Assim observamos com tristeza a destruição da razão com o emplacar de cliks e likes, por uma camada de imprensa oportunista, tornada volúvel e vilã no cenário venal.
Eis o que o país passou a consumir: sua alma. Repartindo pedaços de tudo aquilo que faz funcionar a esperança em cenários melhores, transformando jornalismo em arena de exposição passional e rifando a intelectualidade aos sabores da ignorância e comoção tão apaixonada quanto leviana. No resumo, o dinheiro que chega com o crescimento engajado, seja pelas vias do que ama ou do que desperta repulsa.
A injustiça aprendeu a tomar corpo a partir de opiniões divulgadas na internet. Quem julga, sabe que pode destruir. Por trás, alguns interesses espreitam reações. Incitam a criação de cenários que permitam arbitrariedades serem consumadas a olhos vistos, com a aquiescência dos milhões de olhares sequiosos de vingança, mesmo que este sentimento também tenha sido plantado.
Quem planta quer colher.
Por isso não podemos deixar de questionar os motivos que fizeram com que a USP afastasse tão rapidamente um professor como Alysson Mascaro de suas funções sempre tão honradas e meritórias, com base em acusações sem rostos e com finalidade escancaradamente destruidora, espalhadas por um veículo de comunicação que tudo faz por crescimento nas redes sociais.
Ficar em silêncio conivente embasado no argumento de apenas “esperar a lei e a justiça” já não é suficiente neste tempo de tribunais aleatórios utilizados para embasar condenações e vitimar pessoas marcantes para a história social, tarjando seus passos e maculando seu futuro. A lei brasileira merece mesmo toda essa confiança, quando as páginas da história mostram que foi possível prender inocentes por interesses políticos eminentes?
Na questão em foco, sob a qual detivemos olhar, apenas encontramos uma forte incitação à homofobia.
Mesmo os relatos sobre abuso sexual envolve pessoas adultas e capazes, que sendo homens, não podem contar com os mesmos pré-requisitos de “não-força” que existem em casos de abuso envolvendo mulheres.
O resumo é mesmo desconstruir uma imagem de seriedade, utilizando para isso o apontamento de relações homoafetivas como mote de fraqueza moral contra Mascaro.
Reafirmamos a indignação com uma sociedade que apenas engole o que a internet arma em forma de acusações contra pessoas importantes para o letramento social, como Alysson se transformou. Principalmente no terreno jurídico, totalmente colonizado pelos interesses da classe dominante no país, e de modo particular, no estado de São Paulo, onde a prevalência do ideário econômico condiciona o ser a virar máquina de produção capitalista, mesmo na condição de bagaço humano.
Voltamos a solidarizar com este grande teórico da contemporaneidade, sob a assertiva de que apenas os bons conteúdos sobreviverão a este tempo sem alma, e por isso, esperamos que possa transformar a amarga experiência em estudo, e contribua com o futuro, escrevendo sobre isso.





