O clima de indefinição e desconfiança entre o prefeito e o senador Renan Calheiros é refletido na estratégia de Renan:

apoio ao ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), mesmo sabendo que a hipótese da inelegibilidade contra Lessa ronde a campanha.
Mas, como Renan vai apostar as fichas em Lessa- mesmo que ele esteja em tão franca desvantagem na disputa, apesar de liderar todas as pesquisas- das governistas às de oposição? E se o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vetar a candidatura de Lessa? E como ficaria uma eleição em que o presidente do tribunal, desembargador Orlando Manso, move uma ação contra Lessa, que, em entrevista a um jornal pernambucano em 2001 chamou o desembargador (então presidente do Tribunal de Justiça) de “ladrão”?
“O Renan tem uma ótima relação com o Orlando Manso. Além disso, o desembargador é voto de Minerva em qualquer caso- vota para desempatar. E a conduta do magistrado é de serenidade e respeito. Não de perseguição”, disse um integrante do PMDB alagoano, próximo a Renan. A declaração pode ser encarada como um “fôlego” na disputa. E também para Renan- cada vez mais empurrado, pela presidente Dilma Rousseff na disputa ao Governo de Alagoas em 2014.
Fôlego de um lado. Do outro- o do Palácio República dos Palmares. A estratégia é manter a divisão: os vários governistas na disputa, que levam a votação ao segundo turno.
Esse horizonte é cada vez mais claro: nesta semana, o deputado federal Rui Palmeira (PSDB) se encontrou com o deputado estadual Jeferson Morais (DEM)- os dois na disputa pela Prefeitura de Maceió.
Ficou acordado que os dois não desistirão de disputar o voto a voto: “Nem o Jeferson vai ser meu vice nem eu serei o vice dele”, disse Palmeira. “Por isso, vamos tentar dar o apoio um ao outro no segundo turno da votação”, afirmou o parlamentar federal.
Mas, outro governista que tem a campanha inflada é o deputado federal Givaldo Carimbão (PSB), que esta semana ensaiou o coro dos aplausos- das comunidades terapêuticas mantidas pela Secretaria da Paz, com indicados seus- no Centro de Convenções Ruth Cardoso. Ao lado dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Saúde, Alexandre Padilha, Carimbão mostrou o seu “tamanho eleitoral” (as comunidades lotaram o teatro Gustavo Leite, do Centro) e a disposição de não desistir da disputa.
“O Carimbão será candidato a prefeito, é o que eu acredito. Porque faz parte de um projeto do Eduardo [Campos, governador de Pernambuco, presidente nacional do PSB]”, disse o ex-governador Ronaldo Lessa.
O start da campanha de Carimbão foi luxuoso: dois ministros, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), o vice-governador José Thomáz Nonô (DEM), o arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz, a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki. E jovens em recuperação contra as drogas e seus familiares, dispostos a eleger o parlamentar federal, na apertada disputa na capital alagoana.
Rui Palmeira, Judson Cabral e o secretário de Assistência Social, Marcelo Palmeira, os três “prefeitáveis” do grupo” estavam na plateia, enquanto Carimbão era ovacionado pelas comunidades bancadas, com dinheiro público, pela Secretaria da Paz, a “Secretaria do Carimbão”.
“Mantenho meu nome na disputa, sou pré-candidato”, disse o deputado Judson Cabral. “Estou visitando bairros de Maceió aos finais de semana. Estive no Colina e no Benedito Bentes. Ouvimos comerciantes, moradores. Estamos conversando”, afirmou Rui Palmeira.
Mas, a “Secretaria do Carimbão” está em franca vantagem: um baú de R$ 38,7 milhões, é quanto vai gastar este ano- R$ 12 milhões com as comunidades terapêuticas, incluindo uma central de triagem, os Anjos da Paz. Em 2011, a secretaria recebeu R$ 4,1 milhões- injeção financeira de quase dez vezes, em menos de um ano.








