A praga da corrupção

O custo da corrupção brasileira — estimado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) — gira em torno de R$ 80 bilhões, 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB

Correio Braziliense

A corrupção é chaga que sangra o país antes mesmo  do descobrimento, desde o Tratado de Tordesilhas, de 1494, firmado  entre os reinos de Portugal e da Espanha em torno das terras então  conhecidas e das por conhecer. Os portugueses já vinham explorando o  pau-brasil e outros produtos quando o acordo foi assinado, tendo a área  territorial sido expandida para que os espanhóis não se beneficiassem.  Mais de 500 anos depois, a erva daninha consome diariamente boa parte  dos noticiários da tevê e das páginas de jornais e revistas. Pior:  exposta, ganha dimensão de escândalo, para logo depois cair no  esquecimento e os personagens envolvidos reaparecerem em novas  denúncias.

O custo da corrupção brasileira — estimado pela  Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) — gira em torno  de R$ 80 bilhões, 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos últimos 10  anos foram desviados dos cofres públicos R$ 720 bilhões. No mesmo  período, a Controladoria-Geral da União fez auditorias em 15 mil  contratos do governo central com estados, municípios e organizações não  governamentais (ONGs) e encontrou irregularidades em 80% deles. Nesses  contratos, a CGU flagrou desvios de R$ 7 bilhões — a cada R$ 100  roubados, apenas R$ 1 é descoberto. Desse montante bilionário,  conseguiu-se recuperar pouco mais de R$ 500 milhões, o que equivale a R$  0,07 revistos para cada R$ 100 surrupiados.

Com esse dinheiro que  evapora seria possível erradicar a miséria, elevar a renda per capita  em R$ 443 e reduzir drasticamente a taxa de juros, pedra no sapato de  todo brasileiro comprometido com o país. Passa, pois, da hora de  reescrever essa história. A partir de 27 de maio de 2013, mesmo as  cidades com pequena população terão de ter portais que detalhem as  receitas e despesas do poder público. A Lei Complementar nº 131/2009  (Lei da Transparência) entrou em vigor há dois anos, quando os governos  federal, estaduais e municipais com mais de 100 mil habitantes foram  obrigados a seguir a legislação. Em 27 de maio de 2011, a determinação  se estendeu a municípios com mais de 50 mil habitantes. Não deixa de ser  um alento.

Nos três níveis de governo, o despreparo e a má gestão  se somam à má-fé para favorecer a prática de expedientes escusos. Mas o  problema não se restringe ao poder público.

Empresários  inescrupulosos são o outro lado da mesma moeda. É inadmissível que  encontrem tanta facilidade na era da informação, quando a transparência  deveria ser marca indelével de bancos de dados, contratos e negócios.  Com ela, a sociedade superaria obstáculos das desigualdades sociais,  ampliando o acesso à cultura, adquirindo melhor condição de vida e  reforçando a soberania.

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