Por Ricardo Lima
A brutalidade policial em São Paulo alcançou níveis alarmantes sob o governo Tarcísio de Freitas. Episódios de violência extrema contra a população preta, pobre e periférica têm se repetido com frequência assustadora, expondo uma política de segurança pública que mais parece uma máquina de extermínio.
Os casos recentes chocam, mas não surpreendem.
Um homem rendido, atirado de cima de uma ponte por um policial.
Outro, uma pessoa em situação de rua, executada com 11 tiros após furtar barras de sabão.
Esses não são atos isolados, mas exemplos de uma estrutura policial que opera à margem da humanidade e da legalidade, sustentada por discursos que legitimam a violência.
O próprio governador Tarcísio de Freitas, em março deste ano, ironizou denúncias contra os abusos policiais, afirmando que poderiam ser levadas à ONU ou “à Liga da Justiça”, demonstrando o desprezo pelo clamor por direitos humanos.
Sob sua gestão, a Polícia Militar de São Paulo se tornou a mais letal do país, com números que não mentem: uma em cada quatro pessoas assassinadas no estado é morta por agentes da polícia.
Em apenas 11 meses, a polícia de Tarcísio matou mais do que em anos inteiros de gestões anteriores.
O que choca ainda mais é a complacência de parte da sociedade diante desse cenário.
Muitos justificam essas ações, seja por preconceito, seja por ignorância ou mesmo pelo medo irracional fomentado pela ideia de que a violência policial é “necessária”.
Mas essa violência não é seletiva apenas contra criminosos; é contra qualquer um que não pertença às elites protegidas dos bairros nobres como Alphaville.
Você pode ser a próxima vítima, independentemente de ser uma criança, um estudante de medicina ou alguém em situação de rua.
Essa realidade reflete um projeto político que busca consolidar a desigualdade social e o racismo estrutural.
A violência policial em São Paulo não é um “desvio de conduta”, como tentam justificar as autoridades.
É parte de uma política deliberada que transforma a periferia em zona de guerra e desumaniza sua população.
É a expressão de um estado que decidiu que vidas negras e pobres são descartáveis.
A sociedade precisa reagir. Não podemos normalizar o extermínio.
É preciso cobrar respostas, exigir mudanças e refletir sobre quem elegemos para nos governar. O governo Tarcísio tem demonstrado desprezo pela vida dos mais vulneráveis e uma perigosa disposição em transformar a violência em política de estado.
Se permanecermos inertes, não estaremos apenas permitindo a continuidade desse genocídio. Estaremos assinando nossa própria sentença, porque, no final das contas, quem não está protegido pelos privilégios da elite é também alvo em potencial. A omissão é cumplicidade. E a resistência é o único caminho.
