Nascida em 2003, na cidade de Itainópolis, Angella Saturnino encontrou na escrita uma forma de traduzir as inquietações da vida cotidiana. Ainda adolescente, entre as aulas do ensino médio e os cadernos repletos de rabiscos, começou a dar forma aos primeiros versos que, anos mais tarde, se tornariam a base de sua estreia literária.
Entre 2021 e 2022, em meio ao processo de transição de gênero, Angella iniciou a escrita de sua obra inaugural. O percurso acadêmico veio em 2023, quando ingressou no curso de Letras – Português na Universidade Federal do Piauí (UFPI), Campus de Picos. Ali, aprofundou-se em teoria literária e amadureceu sua produção, sem perder a marca de escrever sobre as verdades cruas e inauditas da vida.
O resultado desse processo foi o livro Nada Exemplar, lançado em 2026 pela editora A Arte da Palavra. O título, por si só, carrega uma provocação: “exemplar” remete ao modelo, ao exemplo moral; “nada” nega qualquer possibilidade de normatividade. Trata-se de uma declaração poética que recusa a ideia de representar categorias ou oferecer trajetórias edificantes, propondo, em vez disso, reflexões sobre o ato de quebrar expectativas.

A obra se constrói em torno de vozes que transitam entre autobiografia, ficção e realidade. Poemas e crônicas surgem como experimentos que, juntos, formam um fluxo de pensamentos desajeitados, confusos e, sobretudo, verdadeiros.
Angella não se prende a modelos nem busca ser exemplo. Seu objetivo é difundir o conceito de arte e afirmar que ela também lhe pertence. A autora alimenta, por meio da escrita, um sonho quase utópico: criar um espaço ainda inexistente na literatura piauiense, onde poesia e travestilidade se encontram em versos concretizados em livro.
“Nada Exemplar não pede que você entenda tudo de primeira”, afirma. “Ele pede que você fique. Que dê uma chance a mais.”
Esse convite resume a essência de sua obra: permanecer, escutar e se abrir ao inesperado.







