Letícia Sardas- O Globo
Numa corrida, largar antes dos demais competidores é motivo de punição. No caso do processo eleitoral, as punições também estão previstas. A propaganda antecipada é um exemplo. Só que esta corrida é muito mais perigosa do que parece. A grande preocupação, infelizmente, ainda é a influência das milícias no pleito de 2014.
O combate aos grupos que proíbem a circulação de candidatos e determinam quem pode fazer campanha é tema que predomina no ano ímpar do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). É um desafio para mim. O que já está sendo feito é o mapeamento de todas as áreas de atuação de milicianos e traficantes. O objetivo é trabalhar preventivamente, criando cada vez mais um elo entre representantes do tribunal e de setores de inteligência da polícia e do Exército, com o objetivo de planejar ações para o período anterior ao da campanha – e, se necessário, para o deslocamento de tropas de segurança durante o pleito.
Hoje, o TRE-RJ conta com uma Assessoria de Relações Institucionais (responsável pelo mapeamento das áreas de influência das milícias, comandada pelo delegado Pedro Luiz Berwanger, ex-superintendente da Polícia Federal no Rio), que atuará contra o “Estado paralelo”. Também fiscalizará os centros sociais que venham a ser utilizados para fins eleitoreiros.
É importante frisar que muitas vezes essas instituições que servem como apoio às comunidades têm vínculos indiretos com políticos, quando são operadas por parentes ou pessoas a eles ligadas.
No período eleitoral, os dados apurados agora vão servir para avaliar se há candidatos de alguma forma associados a um desses centros sociais. Nos casos em que o vínculo for constatado, o local será fechado por determinação da Justiça Eleitoral. Nosso papel é coibir o assistencialismo político.
A Zona Oeste do Rio e municípios da Baixada Fluminense, que receberão importantes valores de royalties e investimentos federais, estão marcados no mapa como lugares que merecem segurança reforçada.
Vale lembrar, também, que nas últimas duas eleições vários milicianos foram presos. E desta vez, não teremos mais esses nomes na linha de frente das eleições. Um ano antes do pleito, os cidadãos poderão contar com ações dos fiscais do tribunal, serviço de disque-denúncia eleitoral e informações da polícia que ajudarão a indicar ilegalidades na campanha. Temos que fiscalizar o início da formação de currais eleitorais. Nos dias de hoje é inconcebível que o eleitor tenha sua liberdade de escolha afetada. Na chegada das eleições de 2014, temos que ter a certeza de que teremos feito diferente.








