A madrugada de 3 de janeiro de 2026 marcou o início de uma nova era geopolítica na América Latina. O que começou com bombardeios estrondosos em pontos estratégicos de Caracas, como o Fuerte Tiuna e a Base Aérea La Carlota, culminou em um desfecho cinematográfico: a captura do líder chavista Nicolás Maduro e sua extradição imediata para os Estados Unidos.
Passados trinta dias, o cenário na Venezuela é de uma metamorfose vertiginosa, onde a soberania nacional e a influência da Casa Branca travam um duelo público diário.
Do Tribunal em NY à Presidência em Caracas
Apresentado a um tribunal de Nova York apenas dois dias após sua prisão, Maduro — que teve fotos divulgadas por Donald Trump usando algemas e vendas — declarou-se inocente das acusações de narcoterrorismo e conspiração. Enquanto ele aguarda julgamento em solo americano, sua ex-vice, Delcy Rodríguez, assumiu o comando do palácio de Miraflores.
A gestão de Rodríguez, contudo, é marcada por uma dualidade constante. Enquanto a presidente interina afirma que “nenhum agente externo” governa o país, o presidente Donald Trump utiliza suas redes sociais para declarar-se, simbolicamente, o “presidente interino” e afirmar que as decisões de Caracas são ditadas por Washington.
Petróleo: a joia da coroa
A mudança mais drástica ocorre na economia. Em menos de um mês, a Venezuela desmantelou décadas de política nacionalista. A reforma da Lei de Hidrocarbonetos, aprovada na última semana, encerra a obrigatoriedade de a estatal PDVSA controlar as operações. Agora, petroleiras estrangeiras podem explorar as reservas venezuelanas por “sua conta e risco”.
As consequências práticas já são visíveis: a nafta americana voltou a entrar no país, o espaço aéreo foi reaberto para voos comerciais dos EUA e Trump já anunciou que a perfuração de poços por empresas americanas deve começar “em breve”.
Anistia e Direitos Humanos
No campo social, a Venezuela vive uma onda de solturas sem precedentes. Segundo a organização Foro Penal, 344 presos políticos já foram libertados — incluindo jornalistas e familiares de líderes opositores. Em um gesto simbólico, Delcy Rodríguez anunciou o fechamento do Helicoide, prisão notabilizada por denúncias de tortura, e enviou ao Legislativo um projeto de anistia geral.
| Data | Evento Principal |
| 03/jan | Bombardeios em Caracas; Trump confirma captura de Maduro. |
| 05/jan | Maduro é apresentado em NY; Delcy Rodríguez assume a presidência. |
| 07/jan | EUA assumem controle da receita das vendas de petróleo venezuelano. |
| 15/jan | Delcy se reúne com o diretor da CIA em Caracas para discutir investimentos. |
| 20/jan | Trump sugere que a opositora María Corina Machado participe da transição. |
| 30/jan | Governo anuncia anistia geral e fechamento da prisão El Helicoide. |
| 02/fev | Nova representante diplomática dos EUA, Laura Dogu, inicia reuniões presenciais em Caracas. |
A normalização diplomática avança a passos largos. Com a reabertura da embaixada americana e a presença constante de oficiais do Departamento de Estado e da CIA em Caracas, a Venezuela tenta equilibrar a necessidade de investimentos externos com a manutenção de uma identidade política ainda sob a sombra do chavismo.
*Com Agências
