Correio Braziliense
Vão longe os tempos em que Brasília tinha ilhas de segurança. Hoje, além de assaltos, roubos e furtos, a população está sob a constante ameaça dos sequestros relâmpagos. Números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública mostram o avanço do crime de roubo com restrição de liberdade no Distrito Federal.
No primeiro semestre de 2011, houve 341 ocorrências. No mesmo período de 2012, a cifra saltou para 463 casos. A variação de 35,8% assusta. Vale lembrar que a estatística pode estar subestimada. Muitas vítimas preferem não registrar o ato de violência. Amedrontadas, optam pelo silêncio. Temem que a denúncia as exponha e lhes coloque em risco os familiares.
A ousadia bandida é tal que não há mais hora ou lugar de risco. Toda hora é hora. Todo lugar é convidativo para ataques. Agressões ocorrem com desenvoltura em plena luz do dia ou durante a noite em áreas nobres do Plano Piloto ou em cidades distantes. Na quarta-feira, por exemplo, mulher foi abordada, à tarde, na comercial da 408 Sul. Sob a mira de revólver, foi obrigada a tomar a BR-070 em direção a Ceilândia.
Medidas urgentes se impõem. Entre 13 e 19 de agosto — em menos de uma semana, portanto —, nada menos de 16 pessoas sofreram sequestros relâmpagos. São quase dois por dia. Diante do clima de insegurança, é verdade que a população tem de tomar cuidados. Mas, os números confirmam, não é suficiente levantar muros altos, instalar câmeras eletrônicas, restringir o constitucionalmente garantido direito de ir e vir.
É preciso acabar com a sensação de impunidade. Bandido ou candidato a bandido têm de ter certeza de que o crime não compensa. Se se aventurar, a polícia deve dispor dos meios aptos a identificá-lo e a puni-lo. Para tanto, é necessário mais que palavras. Promessas de correção de rumos da segurança pública ganham espaço na imprensa, aumentam o descrédito dos brasilienses e, consequentemente, a ousadia dos fora da lei.
Além de mapear os pontos preferidos pelos criminosos e aumentar o policiamento ostensivo, é inadiável acionar a inteligência para prevenir agressões. A cidade tem de ser devolvida ao cidadão. Ele paga impostos. Tem o direito de andar pelas ruas — de carro ou a pé — e voltar para casa com segurança.