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A morte e o espiritismo em nossas vidas

O que será o consolo que buscamos nas horas de sofrimento, enquanto estamos na Terra? A pandemia alargou os sofreres nas despedidas contínuas, através da espantosa quantidade de desencarnes. Como nos consolamos?

Talvez não exista apenas uma perspectiva de resposta para esta pergunta, haja vista a diversidade de convicções e crenças que nos movem, mesmo quando nos admitimos espíritas!

Eis uma delicada questão para todos nós que versamos sobre a vida e morte, a partir de elementos de fé e vivências religiosas ou não.

O fio que conduz a energia consoladora vibra diferente em cada espírito encarnado, de acordo com sua cultura e natureza sensível. Deste modo, precisamos compreender que para alguns de nós a única forma de encontrar consolo para as dores da vida na presença da morte, será através da crença religiosa emotiva.

No entanto, outros se regozijarão com as compreensões pautadas em uma razão que orienta sobre a continuidade da vida e libertação dos espíritos através do fenômeno da morte corporal.

Compreender que não existe um parâmetro de julgamento sobre estas questões nos tornará por certo, mais agradáveis aos olhos e corações que se encontram feridos e aos quais nossas palavras e gestos podem acolher com amorosidade.

Talvez esperemos que todos os que abraçam o Espiritismo tenham consciência de que “fora do mundo corporal visível existem seres invisíveis, que constituem o mundo dos Espíritos”, como nos afirma a Revista Espírita de janeiro/ ano 1859. E ainda esperemos que esta informação trazida pelos espíritos por si possa acalentar os sofredores, mas não é bem isso o que ocorre.

A sensação de perda, o silêncio das horas seguintes, e as angústias trazidas pela solidão, saudades, revoltas, tristezas, movimentam a subjetividade fragilizada. O sofrimento reforça a ideia de fim. E sentir que algo tão importante como uma relação afetiva com alguém foi finalizada não é algo corriqueiro, não é fácil deixar ir. Muitos buscarão o consolo emotivo da ideia de salvação como a maior compensação para o vazio. Quem poderá julgar essa hora sem incorrer em arrogância?

A Revista Espírita supra citada também nos diz que “o Espiritismo nos revela uma nova ordem de ideias, de novas forças, de novos elementos […]” e o amor pontual que promove a caridade do sentir, nos abre espaços de percepção das necessidades do outro em suas horas de prova, capacitando nosso ser para as lides com estas ideias novas sobre o espírito sem atropelar os momentos próprios dos nossos convivas.

A força nova do espírita desponta com a supremacia da razão, porque o leva a questionar e investir em pesquisas, estudos e experiências de libertação, no entanto, a base de vida amorosa continua sendo uma condição importante para a atuação humanitária em benefício dos seres.

Os elementos novos nos chegam através das descobertas do livre pensar. Não são trazidos para a distinção ilusória, mas podem completar sobejamente as intenções caritativas, no exercício solidário das partilhas e respeito mútuo.

Que o eco dos choros e lamentos que cortam a Terra nos encham de piedade por nossos descaminhos históricos, políticos, econômicos e insipiência humanitária. A hora é grave e a benevolência pede mais presença entre nós, como apoiadores das forças cambaleantes uns dos outros.

Sem o rigor do entendimento intelectual diante das buscas por consolo afetivo, façamos da intelectualidade um instrumento de alcance dessa virtude que humaniza, acalentando os que nos confiam os prantos e suas ideias de salvação romântica.

Mesmo sabendo que ” despojado do corpo terreno, o Espírito conserva toda a sua vontade e uma liberdade de pensar bem maior que quando vivo”, como nos informa a Revista Espírita de janeiro de 1859, nem todos lidamos com as despedidas como continuação natural da existência espiritual, e enquanto estudiosos destas leis, podemos estender a caridade de um abraço e uma palavra de amor.

No final, não há final, e tudo pertence ao espírito! Amemos apenas.

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